Maria Luiza Petzl-Erler (Londrina – PR, 26 de setembro de 1953) é uma geneticista e pesquisadora brasileira, professora sênior do Departamento de Genética da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisadora nível 1B do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). É reconhecida por suas contribuições nas áreas de genética populacional, imunogenética e na pesquisa sobre a base genética de doenças autoimunes, especialmente o pênfigo.

Biografia Maria Luiza Petzl-Erler ingressou, em 1971, no curso de Biologia da UFPR. Em 1972, passou a integrar o grupo de pesquisa liderado por Newton Freire-Maia, desenvolvendo estudos sobre malformações congênitas. Concluiu o bacharelado e licenciatura em 1974 e, em 1975, iniciou o mestrado em Genética na UFPR, sob orientação de Eleidi Chautard Freire-Maia, obtendo o título de mestre em 1977. Posteriormente, realizou doutorado na Universidade Ludwig-Maximilian de Munique (LMU München), na Alemanha, concluído em 1983, no qual obteve o título de Dr. rer. nat. em Antropologia e Genética Humana, sob orientação de Ekkehard D. Albert e Hartwig Cleve. Realizou estágios de pós-doutorado na LMU München (1987) e na Universidade Stanford (1989), nos Estados Unidos.

Carreira Em 1988, fundou o Laboratório de Genética Molecular Humana da UFPR, pioneiro no Estado do Paraná na aplicação de análises diretas de DNA em genética humana, que dirigiu até 2018. Em 1991, passou a integrar o quadro efetivo da UFPR. Atua como professora sênior no Programa de Pós-Graduação em Genética. Ao longo da carreira, ministrou disciplinas como Imunogenética, Evolução Molecular, Genética Humana e Genética Geral nos cursos de graduação e pós-graduação em Genética, Biologia, Biomedicina e Medicina. Orientou mais de 40 estudantes de mestrado e doutorado.

Pesquisa A atuação científica de Petzl-Erler concentra-se em genética populacional, microevolução humana, imunogenética e doenças complexas. Seus primeiros trabalhos investigaram o polimorfismo do sistema HLA em populações indígenas sul-americanas, especialmente entre os povos kaingang e guarani. Seus estudos demonstraram padrões particulares de diversificação dos alelos HLA-B nessas populações, propondo a hipótese da “rotatividade de alelos” para explicar ao mesmo tempo a altíssima diversidade global do sistema HLA e os padrões contrastantes de baixa diversidade intra- e alta diversidade interpopulacional, de grupos humanos historicamente pequenos e isolados. Suas pesquisas também contribuíram para o entendimento da história da ocupação das Américas, por meio de estudos sobre migrações humanas em períodos pré-históricos. É amplamente reconhecida por seus trabalhos sobre o pênfigo foliáceo endêmico (fogo selvagem), sendo uma das primeiras pesquisadoras a descrever a influência do sistema HLA na suscetibilidade à doença. Em trabalhos mais recentes, revisou os fatores genéticos envolvidos na suscetibilidade, patogênese e resposta ao tratamento do pênfigo vulgar e do pênfigo foliáceo, destacando a necessidade de abordagens em genômica funcional e estudos longitudinais. Petzl-Erler também fez parte, em 2020, da Rede Genômica do Paraná, na qual contribuiu com estudos sobre as causas genéticas-hereditárias que provocam diferenças de vulnerabilidade, gravidade e sintomas da COVID-19.

Produção científica É autora ou coautora de mais de 150 artigos científicos completos, publicados em periódicos internacionais indexados. Atua como membro de conselhos editoriais de revistas científicas e como parecerista e consultora ad hoc de agências de fomento, incluindo CNPq, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e Fundação Araucária.

Atuação institucional Maria Luiza Petzl-Erler foi presidente da Sociedade Latino-Americana de Histocompatibilidade, atuou como secretária e tesoureira da Sociedade Brasileira de Genética e é membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), da Sociedade Brasileira de Genética, da Sociedade Brasileira de Imunologia, da Sociedade Latino-Americana de Histocompatibilidade e da European Federation for Immunogenetics (EFI).

Artigos selecionados Belich, M. P., Madrigal, J. A., Hildebrand, W. H., Zemmour, J., Williams, R. C., Luz, R., Petzl-Erler, M. L., & Parham, P. (1992). Unusual HLA-B alleles in two tribes of Brazilian Indians. Nature, 357(6376), 326–329. https://doi.org/10.1038/357326a0 Petzl-Erler, M. L., Luz, R., & Sotomaior, V. S. (1993). The HLA polymorphism of two distinctive South-American Indian tribes: the Kaingang and the Guarani. Tissue Antigens, 41(5), 227–237. https://doi.org/10.1111/j.1399-0039.1993.tb02011.x Parham, P., Arnett, K. L., Adams, E. J., Little, A. M., Tees, K., Barber, L. D., Marsh, S. G., Ohta, T., Markow, T., & Petzl-Erler, M. L. (1997). Episodic evolution and turnover of HLA-B in the indigenous human populations of the Americas. Tissue Antigens, 50(3), 219–232. https://doi.org/10.1111/j.1399-0039.1997.tb02866.x Tsuneto, L. T., Probst, C. M., Hutz, M. H., Salzano, F. M., Rodriguez-Delfin, L. A., Zago, M. A., Hill, K., Hurtado, A. M., Ribeiro-dos-Santos, A. K., & Petzl-Erler, M. L. (2003). HLA class II diversity in seven Amerindian populations. Clues about the origins of the Aché. Tissue Antigens, 62(6), 512–526. https://doi.org/10.1046/j.1399-0039.2003.00139.x Bortolini, M. C., Salzano, F. M., Thomas, M. G., Stuart, S., Nasanen, S. P., Bau, C. H., Hutz, M. H., Layrisse, Z., Petzl-Erler, M. L., Tsuneto, L. T., Hill, K., Hurtado, A. M., Castro-de-Guerra, D., Torres, M. M., Groot, H., Michalski, R., Nymadawa, P., Bedoya, G., Bradman, N., ... Ruiz-Linares, A. (2003). Y-chromosome evidence for differing ancient demographic histories in the Americas. American Journal of Human Genetics, 73(3), 524–539. https://doi.org/10.1086/377588 Reich, D., Patterson, N., Campbell, D., Tandon, A., Mazieres, S., Ray, N., Parra, M. V., Rojas, W., Duque, C., Mesa, N., García, L. F., Triana, O., Blair, S., Maestre, A., Dib, J. C., Bravi, C. M., Bailliet, G., Corach, D., Hünemeier, T., ... Ruiz-Linares, A. (2012). Reconstructing Native American population history. Nature, 488(7411), 370–374. https://doi.org/10.1038/nature11258 Augusto, D. G., Piovezan, B. Z., Tsuneto, L. T., Callegari-Jacques, S. M., & Petzl-Erler, M. L. (2013). KIR gene content in Amerindians indicates influence of demographic factors. PLoS One, 8(2), e56755. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0056755 Petzl-Erler, M. L., & Santamaria, J. (1989). Are HLA class II genes controlling susceptibility and resistance to Brazilian pemphigus foliaceus (fogo selvagem)? Tissue Antigens, 33(3), 408–414. https://doi.org/10.1111/j.1399-0039.1989.tb01684.x Pavoni, D. P., Roxo, V. M., Marquart Filho, A., & Petzl-Erler, M. L. (2003). Dissecting the associations of endemic pemphigus foliaceus (Fogo Selvagem) with HLA-DRB1 alleles and genotypes. Genes and Immunity, 4(2), 110–116. https://doi.org/10.1038/sj.gene.6363939

Referências