Amália Augusta Pereira de Lima Barreto (Rio de Janeiro, 19 de julho de 1862 - Rio de Janeiro, 24 de dezembro de 1887) foi uma professora e diretora escolar brasileira. Fundou e dirigiu o Colégio Santa Rosa, destacado pelo Almanaque Laemmert entre as 94 principais instituições de ensino da Corte Imperial do Rio de Janeiro. Amália também foi mãe do renomado jornalista e escritor Lima Barreto.
Biografia Amália Augusta nasceu no Rio de Janeiro, em 19 de julho de 1862. Sua avó materna foi Maria de Conceição, mulher de nação Rebola, população proveniente da região do alto do Rio Cuanza, na região norte de Angola, que chegou ao Brasil pelo comércio transatlântico e viveu em São Gonçalo. Foi filha de Geraldina Leocádia da Conceição, mulher nascida no Brasil que viveu na condição de escravizada doméstica da família Pereira Carvalho. Após sua alforria, Geraldina permaneceu vinculada com os antigos senhores como agregada. Devido à liberdade legal da sua mãe, Amália Augusta nasceu livre, mas permaneceu dependente dos Pereira Carvalho. Amália foi educada desde a infância, junto a seus irmãos Jorge, Carlos e Bernadino, pela família à qual eram agregados, sob o cuidados de seu padrinho, Manuel Feliciano Pereira de Carvalho. Após o falecimento de Manuel Feliciano em 1867, Amália passou aos cuidados de Rosa, irmã do patriarca. Herdou o sobrenome da família Pereira de Carvalho. Durante a juventude, formou-se no Colégio Santa Cândida, instituição de ensino feminino localizada na Rua do Areal. Em 1887, casou-se com João Henrique de Lima Barreto, tipógrafo formado pelo Imperial Instituto Artístico, sendo estagiário de Henrique Fleiuss. João Henrique, também nascido livre e filho de uma mulher escravizada com um madeireiro português, frequentava a casa da família Pereira de Carvalho devido à sua proximidade com Afonso Celso de Assis Figueiredo, que viria a ser o padrinho do casamento. O casal teve cinco filhos: Nicomedes (em 1879, que faleceu com oito dias de vida), Afonso Henrique (em 1881, futuramente conhecido apenas como Lima Barreto), Evangelina (em 1882), Carlindo (em 1884) e Eliézer (em 1886). Amália Augusta foi responsável pela alfabetização de todos os seus filhos. A morte prematura de seu primeiro filho foi consequência de complicações no parto, que também causaram sequelas em Amália Augusta, resultando em traumatismo e paralisia nas pernas. Após o nascimento de Afonso Henrique e Evangelina, seu quadro de saúde agravou-se com o desenvolvimento de problemas pulmonares. Em busca de melhores condições, a família realizou sucessivas mudanças de residências nos subúrbios do Rio de Janeiro, incluindo os bairros de Engenho de Dentro, Engenho Novo, Méier e Catumbi. Amália Augusta faleceu em 24 de dezembro de 1887.
Atuação profissional Amália Augusta viveu em um contexto em que o acesso ao letramento era restrito, o que impactava as possibilidades de ascensão social da população negra. O censo de 1872 registrou à época uma taxa de analfabetismo de 82%. Em 1882, a Lei Saraiva fez da alfabetização um requisito para votar. Viabilizada por sua condição de agregada à família Pereira de Carvalho, sua instrução possibilitou o seu sustento por meio do trabalho intelectual. O domínio da leitura e da escrita era um marcador da distinção social. diferenciando a realidade de quem o possuía da maioria da população negra do pré-abolição, majoritariamente relegada ao trabalho braçal. Amália Augusta fundou o Colégio Santa Rosa, de instrução primária e secundária para meninas, onde atuou como professora e diretora. A escola ficava localizada na rua Ipiranga, n° 18, no bairro Laranjeiras, no Rio de Janeiro, local que serviu também como a primeira residência da família Lima Barreto. O colégio figurou no Almanaque Laemmert entre as 94 principais instituições de ensino da Corte, ainda sem o nome de Amália Augusta, que recebeu a certificação de autorização para dirigir sua instituição de ensino somente em 26 de fevereiro de 1880. A atuação de Amália Augusta como educadora incluiu a alfabetização de seu filho, Lima Barreto. O portal Literário, desenvolvido pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), destaca que a obra do escritor é marcada pela crença na educação como caminho para a "ascensão e libertação", ideias que dialogam diretamente como a história de vida de sua mãe. Em decorrência das complicações em sua saúde, consequentes do seu primeiro parto, Amália se retirou da vida profissional em 1884, fechando o Colégio Santa Rosa, e dedicou-se exclusivamente aos cuidados de sua saúde e de seu ambiente doméstico.
Contribuições Na produção literária de Lima Barreto, a figura de sua mãe, Amália Augusta, não aparece como personagem biográfica explícita. Sua presença é documentada por estudos críticos que apontam menções indiretas ou estruturais em sua obra. Em obras como Recordações do Escrivão Isaías Caminha, Diário Íntimo e Clara dos Anjos, biografistas de Lima Barreto, como Francisco de Assis Barbosa e Lillia Schwarz, apontam a influência da mãe na literatura do escritor.
Ver também Lima Barreto
Referências
Ligações externas Escravo de Nação Rebola. Consultado em 18 de junho de 2026.