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Uma cidade escondida no coração da Amazônia, uma suposta civilização com milhares de anos de história e um guia que afirmava saber como chegar até ela. A história de Tatunca Nara e da cidade perdida de Akakor atravessou décadas entre relatos, expedições e teorias, sem que a existência do local fosse comprovada.

Tatunca Nara é o personagem central da história de Akakor, cidade que nunca teve sua existência comprovada Foto: HBO Max Brasil via Youtube

É esse caso que está no centro de Morte e Mistério na Amazônia, série documental brasileira da HBO Max que estreia nesta quinta-feira, 10. Dirigida por Tatiana Issa e Guto Barra, a produção revisita a trajetória de Tatunca, os estrangeiros que partiram em busca de Akakor e os acontecimentos que transformaram a história em um caso cercado de mistério.

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Os três episódios chegam ao streaming no dia da estreia. No canal HBO, a exibição será semanal. A série foi gravada no Brasil, nos Estados Unidos e no Caribe e reúne jornalistas, investigadores, familiares, especialistas e testemunhas relacionadas ao caso. Tatunca Nara também participa e apresenta sua versão dos acontecimentos.

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Como surgiu a lenda de Akakor?

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A história ganhou repercussão internacional na década de 1970, a partir dos relatos de Tatunca Nara, que dizia ser descendente do povo Ugha Mongulala e afirmava conhecer a localização de Akakor, uma cidade que teria sido construída no interior da Amazônia.
Os relatos chegaram ao jornalista alemão Karl Brugger, correspondente da emissora alemã ARD no Brasil. Brugger encontrou Tatunca em Manaus, em 1972, e registrou suas histórias. A partir desse material, publicou, em 1976, o livro A Crônica de Akakor, obra que ajudou a espalhar a narrativa para além do Brasil.
Série documental investiga a trajetória do homem que dizia ser líder indígena e conhecer o caminho até uma cidade escondida na floresta Foto: HBO Max Brasil via Youtube
Segundo o relato apresentado no livro, Akakor seria uma cidade subterrânea ligada a uma antiga civilização. A narrativa também envolvia túneis, povos ancestrais e a suposta chegada de soldados alemães à região durante a Segunda Guerra Mundial.
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Apesar da repercussão, não existem evidências arqueológicas que comprovem a existência de Akakor ou da civilização Ugha Mongulala descrita por Tatunca.
A história também se relaciona a lendas anteriores sobre cidades perdidas da América do Sul, como El Dorado e Paititi, que alimentaram durante séculos relatos sobre riquezas e civilizações escondidas na região.
Quem é Tatunca Nara?
Tatunca Nara se apresentava como líder indígena e passou a atuar como guia de expedições na Amazônia. Ao longo dos anos, sua identidade também passou a ser questionada.
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A identidade de Tatunca Nara passou a ser questionada durante as investigações sobre sua história e as expedições Foto: HBO
Investigadores alemães identificaram o homem como Günther Hans Hauck, nascido em Coburgo, na Alemanha, em 1941. Tatunca, no entanto, contestou essa identificação.
A controvérsia sobre sua identidade se somou às suspeitas envolvendo estrangeiros que desapareceram depois de entrar na Amazônia em expedições relacionadas às histórias de Akakor.
Entre os casos citados estão os de John Reed, em 1980; Herbert Wanner, em 1983; e Christine Heuser, em 1987. Os restos mortais de Wanner foram encontrados posteriormente, enquanto os outros desaparecimentos permanecem sem solução.
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Tatunca foi investigado pelas autoridades, mas não foi condenado pelas mortes.
O assassinato de Karl Brugger
O caso ganhou outro capítulo em 1984, quando Karl Brugger foi assassinado a tiros no Rio de Janeiro. O jornalista estava em uma praia de Ipanema quando foi morto. O crime nunca foi esclarecido.
A morte alimentou teorias que tentavam estabelecer uma relação entre o assassinato e o conteúdo de A Crônica de Akakor. Não há, porém, comprovação de que o crime tenha ligação com a cidade perdida ou com as investigações conduzidas por Brugger.
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Décadas depois, a história continuou despertando interesse. Investigações e reportagens voltaram a examinar a trajetória de Tatunca e os desaparecimentos associados às expedições em busca de Akakor.
O que a série da HBO Max investiga?
Morte e Mistério na Amazônia parte justamente da distância entre a lenda e os fatos que podem ser investigados.
A produção confronta os relatos de Tatunca com documentos, pesquisas históricas e depoimentos de pessoas relacionadas ao caso. A proposta é entender como a história de Akakor ganhou força e o que aconteceu com aqueles que foram atraídos pela possibilidade de encontrar a cidade perdida.
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Ao recuperar os relatos de quem participou ou acompanhou as expedições, a série também busca separar os elementos da lenda dos acontecimentos que permanecem sem explicação.
A produção é uma coprodução da HBO com a Producing Partners. Tatiana Issa e Guto Barra assinam direção e produção, com supervisão de Sergio Nakasone, Adriana Cechetti e Patricio Díaz pela Warner Bros. Discovery.
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