Cultura

Atriz conta que o filho, Uri, é sua maior conexão com a realidade e principal força para lutar contra a depressão, doença que já enfrentou

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Leticia Colin e o filho, Uri, de seis anos — Foto: Reprodução
Para Leticia Colin a maternidade é mais 'rock and roll' do que paz e amor, como chegou a idealizar antes de ser mãe. A atriz de 36 anos, que tem Uri, de seis, revelou que o menino é sua maior conexão com a realidade. E também fator de grande ânimo para lutar contra a depressão, doença que, às vezes, bate à sua porta. Leia a seguir:
Leticia Colin — Foto: Marina Calderon
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Seu filho Uri está com seis anos. Ser mãe é mais rock and roll do que paz né?
É radicalíssimo. Sinto um amor violento pelo meu filho. Ele me dói, me atravessa, me desnorteia. De vontade de querer cuidar, de raiva de não saber como, de cansaço, de sentimento de loucura, de paixão, de encantamento. Não é fácil dar conta desse radicalismo, dessa intensidade de amor e dor.
Como trabalha a culpa materna, agora, que está num momento de muito trabalho, protagonizando a novela das 21h, "Quem ama cuida"...?
Estou nessa chave. É um trabalho muito importante para a minha carreira, algo que eu quis muito, fui atrás, pedi para fazer o teste. Isso coroa esses quase 30 anos de carreira. Uri vai segurar a onda. Tenho um companheiro impecável (o poeta Michel Melamed, pai de Uri) , minha família está aqui, meus pais vieram para me dar essa força, preencher esse tempo com ele, dar carinho, colo, comida, para ver se tem fruta na geladeira... (risos). Porque tem uma coisa muito concreta da maternidade...
A logística...
Exato. Tem convidado mais os amigos da escola dele para irem lá em casa. No domingo, dia da minha folga, eu deveria estar estudando, lendo, mas abandono tudo e fico com ele. Às vezes, minha mente está pensando numa cena, mas estou com ele lutando para estar presente. Não é fácil, às vezes, ele está explicando 50 vezes o negócio do Pokémon, e eu pensando: "Gente, não faço a menor ideia e estou aqui um pouco enganando meu filho, falando, 'pô, que legal'... atuando para ele". Mas estou fazendo tudo o que posso para que nosso tempo seja de qualidade. Dói em mim, mas é um momento que tenho que viver. E a gente vai sobreviver a isso juntos. Essa é a nossa história, é a história da mãe dele, que é atriz, é intensa. Isso que nos torna únicos. Às vezes, ele fala isso... Estou desenhando, borro alguma coisa, falo "ih, borrei aqui, errei, não gostei" e ele: "mãe, você não errou, você é a única". A gente vai aprendendo com eles também.
Como foi interpretar uma dependente de crack enquanto estava grávida na série 'Onde está meu coração'?
Ah, foi a melhor coisa do mundo essa conjuntura astral improvável: Uma gravidez e uma personagem viciada em crack. Meu coragem até pra enfrentar minha própria tristeza que, muitas vezes, me assusta. Acho que eu tinha um receio, assim, até de conseguir maternar. Muitas vezes, ainda me pego tendo... num momento mais de angústia do meu filho, que tenho que dizer alguma coisa ou não dizer nada. Mas ter conseguido passar por essa experiência junto com ele foi mágico. Muitas vezes, eu mexia com a dor, mas era de uma alegria profunda, porque estava conectada com a luz do meu filho dentro de mim. Estar com o meu filho, vivendo uma coisa que, teoricamente era triste, foi muito bom. Ele é um menino extremamente sensível, que chora, nomeia os sentimentos, diz que está confuso, que precisa se auto-avaliar, que precisa de dengo (risos). Ele para, pensa, sente e vai conseguindo traduzir com os contornos que a gente vai tentando dar. Não quero poupar meu filho da dor e da tristeza, isso é a experiência da vida. E não adianta eu querer, porque isso vai acontecer. O que eu quero é dar ferramentas para ele, dizer: "Filho, é barra pesada, mas estamos juntos". Isso fez cair por terra, uma coisa ingênua, idealizada de achar que eu ia conseguir sentir menos as coisas que me incomodam na vida... porque eu sinto muita angústia... e também de pensar que ia conseguir tirar da vida dele o que é inevitável.
A chegada do Uri potencializou essa sua angústia existencial?
Muito! Porque a vida, ainda mais nesse início, onde o desenvolvimento acontece, é muito veloz. Cada dia ele aprende uma palavra, sente uma coisa, traz uma novidade. Essa sensação do movimento da vida, dessa urgência.... O Uri é o afeto encarnado. E acredito que a via para qualquer coisa se transformar é o afeto. Então, ele é um ponto catalisador. É uma maneira de caminhar sobre o chão, de tomar banho, de me cuidar, de pagar as contas, de sorrir, de levantar quando estou mais triste, mais deprimida. Ele é um vetor de conexão muito profunda com a realidade e com essa necessidade de caminhar pra frente.
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