Política / Eleições 2026

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Kátia Abreu, coordenadora da campanha de Lula no Tocantins — Foto: Divulgação
Depois de defender em reunião do PT uma presença maior do vice Geraldo Alckmin na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, e uma menor participação da primeira-dama, Janja da Silva , a ex-senadora Kátia Abreu afirma em entrevista ao GLOBO que a prioridade deve ser reeleger o atual presidente, "e não aparecer".
Janja tem cantado e discursado em comícios do petista e influenciado na coordenação da campanha.
Kátia Abreu se filiou ao PT este ano após passagens, entre outros, por DEM, PP e MDB. Como deputada, liderou a bancada ruralista. Também presidiu a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Ela coordena a campanha de Lula no Tocantins.
O que a senhora quis dizer ao afirmar na reunião do PT “mais Alckmin, menos Janja"?
Mais claro do que isso é impossível. Ele precisa aparecer mais porque ele ajuda muito, ajuda em São Paulo, ajuda no mercado financeiro, ajuda junto aos empresários, ele ajuda toda sorte. É um cara que já foi governador de São Paulo, prefeito, já foi tudo, muito experiente, candidato a presidente contra o Lula.
E por que menos Janja?
Não se trata de gênero, se trata de prioridade eleitoral. Está causando simpatia? Está gerando voto? Nós estamos percebendo que não, e isso está na boca de todo mundo. Isso não tira o valor dela. Podia ser eu. Essa coisa de gerar simpatia ou não são fases da vida. Neste momento, não está causando simpatia. Nesta hora, qual é a prioridade: aparecer ou eleger o marido? Para mim, é eleger o Lula. Não se trata de implicância com ela, se trata de uma implicância com o excesso dela que não está gerando coisas positivas.
A coluna da Bela Megale divulgou que a Janja mandou uma mensagem para a senhora. O que ela escreveu?
Eu não quero que isso vire uma fofoquinha. Daqui a pouco sai que eu falei da mensagem, a mensagem disse isso, eu respondi aquilo. Esquece isso. Falei o que tinha que falar, o que eu estava sentindo, e não me arrependo. O que eu quero é ajudar. Se vazou, eu não sou culpada, porque a reunião era fechada.
A senhora acha que Alckmin deveria ser indicado ministro da Fazenda?
Eu vi na imprensa — senão daqui a pouco vão dizer que eu estou indicando ministro, Deus me livre — que o Lula estava pensando em indicá-lo para a Fazenda. Eu acho simplesmente perfeito. Se de fato o presidente pretende fazer isso, eu aplaudo 100%. Acho que é a figura mais correta. O ministro da Fazenda não precisa ser economista. Ele precisa ter projeto, ter plano e equipe de economistas maravilhosos que o convençam das questões. Então o Alckmin saberá montar uma super equipe para fazer o que tem que ser feito. Lembrando que o ajuste fiscal é importante, mas estamos num governo progressista, em que as questões sociais são caras.
A senhora acha que ele ficou muito distante no primeiro turno?
Poderia ter aparecido mais.
Por que o Flávio Bolsonaro ficou na frente de Lula no primeiro turno?
Comunicação. Diante de tanto cuidado com a saúde, com o Mais Médicos, o Mais especialistas, na educação com outra série de medidas, como é que com tanta coisa chega numa situação dessa? O Lula ganhou (em 2022) com 1,9 ponto de vantagem. E aí fez o quê para ampliar? Como é que foi a comunicação disso aqui? Deu foi ré. Então eu acho que a comunicação é igual você querer casar com uma moça e não pedir ela em namoro. Aí não vai casar. Eu acho que a comunicação não foi legal. No Lula 3, foi muito ruim. Não chegou na população as vantagens que o governo estava oferecendo.
Não ampliou por que o núcleo do governo era só do PT?
Não só núcleo central, mas também os principais ministérios. Eu falei na reunião (do PT): quais os ministérios dos nossos parceiros que ajudaram a eleger o presidente? “Ah, mas o Congresso está impossível, o Congresso está difícil”. Eles não estão felizes, simplesmente isso. Estão se sentindo de certa forma menores na participação do governo.
A senhora acha que aquela frente ampla montada em 2022 para derrotar o Bolsonaro não se refletiu no governo.
Acho, sinceramente. Não precisa nem eu dizer, está todo mundo vendo. Mas agora está na hora. São 18 dias, vamos buscar parceiros não só para engrossar as fileiras da busca de votos, mas nós temos que buscar cabeças inteligentes para raciocinar a direção da campanha, qual é o mote da campanha... Cadê os especialistas, comunicadores, pessoas que lidam com pesquisa, os estudiosos da área? Tem que montar um mini conselho. Não pode ser o Sidônio dono de tudo, absoluto numa crise desta. Ele falhou. Esse homem (Lula) tem um mundo de programas que qualquer Duda Mendonça faria um carnaval.
O que a senhora acha que tem que ser feito nesse segundo turno para reverter essa vantagem que o Flávio teve?
Agora é hora de agregar liderança. Quem está do lado de lá, quem estava mais em dúvida. Agora, em 18 dias, eu acredito em programa eleitoral, rede social e nos debates. Nas pequenas cidades, com menos de 10 mil habitantes, perdemos 10% dos votos.
Por que o agro não apoia o Lula?
Em primeiro, todo o setor agropecuário do mundo é de direita. Lula 1, Lula 2 e Dilma 1 tiveram uma relação com o agro extraordinária. Aí veio o Bolsonaro. Nesses quatro anos de Bolsonaro, eles foram muito eficientes em desconstruir tudo que o Lula e a Dilma tinham feito. O Bolsonaro abriu todos os armários dos piores sentimentos possíveis que o ser humano pode ter: de ódio, de raiva, de preconceito e de esquecimento de tudo que foi feito. Queria discutir com produtores e bolsonaristas quem é que fez mais pelo agro.
O que fez a senhora sair de um campo da centro-direita e se aproximar do PT?
Eu não sou de esquerda, eu sou de centro, mais para a direita, sou de centro-direita. Mas não tenho preconceito sobre coisas importantes que esse governo fez. A Dilma, por exemplo, de quem fui ministra e tive uma relação mais longa, eu sei o que ela fez para o setor agropecuário, que eu ajudei a construir. Tudo que a gente tinha conseguido contornar que a Marina Silva (ministra do Meio Ambiente nos dois primeiros governo de Lula) tinha entornado — colocando produtores contra ambientalistas —, quando eu estava na CNA, deputada e depois senadora, aí veio a Izabella (Teixeira), ministra do Meio Ambiente (no governo Dilma), e consertou tudo isso. Tivemos uma ótima relação e acabou com aquela animosidade com ambientalista. Nós conseguimos então pacificar o campo com o governo progressista. Hoje, não tem mais invasão.
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