Informação consta em documento da PF cujo sigilo foi derrubado pelo ministro do STF André Mendonça a pedido do ministro Edson Fachin

11 set 2026 - 08h11

(atualizado às 08h19)

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- Por: Marcela Coelho

PF detalha articulações de Vorcaro antes de ser preso e diz que banqueiro já sabia da operação:

A Polícia Federal (PF) aponta que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, registrou em conversas que obtinha informações sigilosas com seus "amigos" no Banco Central. A informação consta em documento da PF cujo sigilo foi derrubado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça na noite de quinta-feira, 10. O relator do caso levantou o sigilo das investigações sobre as fraudes cometidas pelo banqueiro após pedido do presidente do STF, Edson Fachin.

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Segundo o documento, a primeira fase da Operação Compliance Zero -- que apura fraudes ligadas ao Banco Master, foi deflagrada no dia 18 de novembro do ano passado. No entanto, a análise do material apreendido com Vorcaro demonstrou que, dois dias antes da ação policial, houve uma extensa movimentação dele "direcionada a evadir-se dos atos estatais de persecução penal, notadamente através da saída do território nacional no dia anterior".

Vorcaro foi preso um dia antes, na noite de 17 de novembro, no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, prestes a embarcar em jato particular para os Emirados Árabes.

Nos dias anteriores, os diálogos e movimentações do banqueiro indicam que ele "tomou conhecimento, ainda que parcial, da atuação policial e do Banco Central que ocorreria no dia 18/11/2025, e adotou medidas para acessar os autos, pressionar o juiz responsável, e prejudicar a atuação dos órgãos estatais", afirma a PF.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

Foto: Divulgação/Banco Master

Um dos episódios destacados no documento é em relação ao vazamento de dados sigilosos referentes a reunião realizada entre integrantes da Polícia Federal e do Banco Central, ocorrida em 17 de outubro de 2025, por volta das 9h. A reunião reservada teve como objetivo tratar da investigação em andamento envolvendo o Banco Master.

Dias depois, em 21 de outubro de 2025, Vorcaro registrou no aplicativo "Notas" de seu celular apreendido o nome dos representantes da PF que estiveram nessa reunião do BC. "Chama a atenção que o próprio banqueiro registra posteriormente que obtém informações sigilosas com seus 'amigos' no Banco Central, que 'participaram das reuniões'", destaca a PF no relatório.

No mesmo dia, às 13h38, o banqueiro registrou outra nota intitulada "De pessoas de dentro do Bacen que são meus amigos e ficaram preocupados". No corpo do texto, ele "afirmou que essas pessoas haviam participado da reunião, motivo pelo qual as informações relativas aos nomes e às medidas mencionadas seriam, segundo ele, 100% confiáveis. Alega ainda que não poderia 'queimá-los', em referência às pessoas de sua confiança – ou, conforme afirma, seus amigos – dentro do BCB", detalha a PF.

Já no dia 16 de novembro, Vorcaro incluiu outra nota com um questionamento a alguém, não identificado, se tal pessoa teria relação de proximidade com o juiz federal Ricardo Soares Leite, o mesmo que determinou a prisão de Vorcaro. "Vocês são próximos?" diz a mensagem.

"Como se tratava de inquérito sigiloso, a essa altura (dia 16/11/2025), não haveria nenhuma razão ou meio lícito conhecido para que o alvo da investigação soubesse o nome e jurisdição de atuação do juiz federal responsável pelo caso", pontua a PF.
O relatório ainda aponta que no dia 17 de novembro a agenda de Vorcaro foi ainda mais atribulada. Às 7h28, ele recebeu mensagens do seu advogado Walfrido Warde -- com quem não tinha conversas registradas desde 3 de agosto de 2025 -- para tratar de assunto "importante".
"Os interlocutores se revestem de cautela para não expor o assunto tratado, enviando mensagens (fotos e áudios) de visualização única e efetuando ligações por voz. O que fica claro, entretanto, é que, após a mensagem urgente recebida logo pela manhã do dia 17/11, Vorcaro altera seus planos ("não marca mais a reunião pq agora mudei o roteiro"). Pouco tempo depois, às 8h48min, o investigado já informa a seu advogado que estaria agendando voo "saindo de Congonhas", diz a PF.
Fonte: Portal Terra
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