Segundo operação do Ministério Público de São Paulo, empresa estaria no topo da cadeia de comercialização de aparelhos roubados; Trocafone nega envolvimento

A Trocafone, uma das principais empresas brasileiras de compra e venda de celulares usados e recondicionados, é alvo da Operação Frankmobile, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) nesta quinta-feira (10). A investigação apura um suposto esquema de furto, roubo, receptação, desbloqueio e comercialização ilegal de celulares na região central de São Paulo. Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), a Trocafone estaria no “topo na cadeia de comercialização” e seria um “nó financeiro central” da rede.

Uma fiscalização identificou 759.317 aparelhos vendidos ou movimentados por uma filial da empresa sem nota fiscal de entrada correspondente ao IMEI, segundo os autos. O MPSP também pediu o bloqueio de até R$ 95,7 milhões relacionados à Trocafone e a suspensão de suas atividades econômicas. Em nota enviada ao TechTudo, a companhia nega envolvimento com a comercialização de aparelhos de origem ilícita e afirma que continua operando normalmente.

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Furto de celulares em São Paulo é investigado pela operação Frankmobile, que também mira a Trocafone — Foto: Mariana Saguias/TechTudo

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Quais são as acusações contra a Trocafone?

Segundo o Gaeco, o modelo de negócio da Trocafone, que compra aparelhos usados e os revende, poderia ser utilizado para dar aparência legal a celulares provenientes de furtos e roubos. A Promotoria descreve a empresa como parte relevante da etapa final de comercialização dos aparelhos dentro da cadeia investigada.

Um dos principais pontos citados nos autos é uma fiscalização que, segundo o Ministério Público, encontrou 759.317 celulares vendidos ou movimentados por uma filial da Trocafone sem nota fiscal de entrada correspondente ao IMEI dos aparelhos. O MPSP pediu ainda o bloqueio de até R$ 95,7 milhões relacionados à empresa e a suspensão de suas atividades econômicas.

Página inicial do site Trocafone — Foto: Reprodução/Trocafone

Em nota enviada ao TechTudo nesta sexta-feira (11), a Trocafone afirmou que prestou esclarecimentos e apresentou os documentos solicitados às autoridades. A companhia informou ainda que está "adotando as medidas legais cabíveis para esclarecer os fatos" e que "repudia a comercialização de aparelhos de origem ilícita".

"No processo atual de trade-in de aparelhos adquiridos de pessoas físicas em lojas parceiras, a companhia combina identificação do vendedor, documentação da aquisição e consultas de IMEI em diferentes etapas do fluxo, incluindo a aquisição, o recebimento e a liberação para expedição, além de rechecagem durante a permanência na operação, quando aplicáveis", disse a Trocafone.

Opções de compra no site Trocafone — Foto: Reprodução/Trocafone

A empresa também informou que tem mecanismos para coibir a venda de celulares bloqueados ou restritos. "Quando é identificado bloqueio ou restrição, o aparelho é retirado do fluxo comercial e segregado para análise, com preservação dos registros relacionados à aquisição e encaminhamento aos responsáveis internos e, quando aplicável, às autoridades competentes", explicou em nota.

O que é a Operação Frankmobile?
Deflagrada nesta quinta-feira (10), a operação é resultado de cerca de dois anos de investigação e mobilizou 1.700 agentes do MPSP, das polícias Civil, Militar e Penal e da Secretaria de Estado da Fazenda. A Justiça autorizou o cumprimento de 84 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão temporária em São Paulo e Goiás. Também foram autorizadas medidas para sequestrar e bloquear bens e valores relacionados aos investigados.
Segundo o MPSP, o esquema investigado funcionava em pelo menos quatro etapas. A primeira envolvia furtos e roubos de celulares, inclusive durante congestionamentos no trânsito e em grandes eventos. Em seguida, os smartphones seriam levados a grupos responsáveis pelo desbloqueio dos aparelhos, quando também eram transferidos valores das contas bancárias das vítimas.
Na terceira etapa, os celulares seriam preparados para a revenda. A investigação cita alteração do IMEI, remoção de bloqueios técnicos e troca de componentes. Também haveria a produção de notas fiscais ideologicamente falsas para dar aparência regular aos equipamentos. Por fim, parte dos celulares seria desmontada para a venda individual de componentes.
Com informações de MPSP (1, 2), CNN e Folha de S. Paulo
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