Tite explica por que aceitou a proposta do Botafogo

Em atualização
O técnico Tite foi apresentado oficialmente pelo Botafogo na manhã desta quinta-feira (17), no Nilton Santos. Ele foi apresentado pelo presidente do clube associativo, João Paulo Magalhães, ao lado do diretor, Léo Coelho.
— Hoje é um dia glorioso pro nosso Botafogo. Estamos aqui em um momento que considero espetacular, poder apresentar o plano de trabalho dessa nova gestão que é apoiada pela GDA, o Gabriel de Alba, pessoa espetacular pro nosso Botafogo e que está nos proporcionanodo momentos como esse, em que a gente pode trazer para o nosso planejamento futuro o nosso novo líder, nosso general, como a gente tem brincado. Multicampeão, duas Copas do Mundo, pra transformar esse novo momento que o Botafogo vai passar a viver de organização esportiva e competição em alto nível. Isso vai ser possível porque esse projeto vai ser construído com toda a calma e sabedoria e tempo — disse o presidente.
— O tempo é a coisa mais importante para a gente construir a perpetuidade do Botafogo. Nosso general (Tite) vem para cá para, se Deus permitir, ficar até o fim de 2028, renovando o contrato na frente. Muitas vitórias e títulos pro Botafogo, assim a gente espera. Eu, como torcedor botafoguense que sou, não poderia estar mais feliz com a oportunidade de aprender com você. Obrigado, meu amigo — completou.JP Magalhães é muito especial. Léo, muito obrigado. Ao torcedor do Botafogo, obrigado pela confiança. Responsabilidade muito grande. Nossa conversa inicial teve os laços do amor pelo clube, os objetivos que temos, mas os laços humanos. O Botafogo é verdadeiramente uma família.
Em suas primeiras palavras como técnico do time carioca, Tite disse:
— JP Magalhães é muito especial. Léo, muito obrigado. Ao torcedor do Botafogo, obrigado pela confiança. Responsabilidade Veja tmuito grande. Nossa conversa inicial teve os laços do amor pelo clube, os objetivos que temos, mas os laços humanos. O Botafogo é verdadeiramente uma família.
Tite apresentado no Botafogo — Foto: Bárbara Mendonça / ge
O contrato do treinador é válido até dezembro de 2028. Ele será a cara do projeto da GDA, a nova investidora da SAF alvinegra. A nova comissão técnica também será formada pelo auxiliar Matheus Bachi (filho do treinador) e pelo preparador físico Fábio Mahseredjian. Além deles, Rodrigo Bellão será o novo integrante da comissão técnica permanente do clube, ao lado do auxiliar Marcelo Fera e do preparador físico Ronaldo Torres.
Tite é apresentado no Botafogo — Foto: Letícia Marques / ge
O Botafogo terá 17 dias sem jogos em função da paralisação da Data Fifa. Esse período é considerado decisivo pela diretoria para que o novo comandante conheça bem o elenco.
Veja todas as respostas do treinador:
Presença no jogo e torcida
— Eu te confesso que o camarote para mim é mais difícil do que na beira do campo. A tensão, o nervosismo, a expectativa, ela gera. Mas eu brinquei em relação ao Léo ter falado, mas o grande trabalho que foi feito pelos atletas, que foi feito pela direção, que foi feito pelo Bellão, o Bellão ganhou do outro lado, e aí tem o enfrentamento de dois campeões mundiais. Fica aqui o reconhecimento do grande trabalho dele e da gente ter vibrado junto.
O que fez tomar a decisão de aceitar o projeto do Botafogo desta vez?
— Série de aspectos são importantes. Primeiro essa relação da conversa foi fundamental, com João Paulo, com o Léo. Foi fundamental. Daquilo que é o projeto do Botafogo, a reformatação, ambição e o crescimento ao longo do tempo. Da história do Botafogo recente e passada, do sentido do acolhimento que eu tive. Fui apresentado ao grupo de funcionários e chega a ser comovente. Ontem com o Montenegro me dando uma abraço, as pessoas, me sentindo verdadeiramente incorporado. Essa relação e a possibilidade de desenvolver um trabalho a médio e longo prazo me traz enquanto profissional uma possibilidade do que eu imagino e entendo do futebol, porque ele tem processos a serem desenvolvidos para que no final se possa ter as glórias.
Expectativas:
— Quando eu estava fazendo a pergunta, a primeira coisa que eu fiz foi na reunião. O João Paulo colocou assim para mim. Eu disse: eu fui chão de fábrica. E aquilo ali me sintonizou também. Uma trajetória no futebol até chegar na Seleção Brasileira, de passagem por um sem número de clubes. E o que me orgulha é que os trabalhos desenvolvidos, a grande maioria deles, foi a médio prazo. Então, se eu pegar todos os trabalhos da minha carreira, eu olho para trás e tenho orgulho dela. Poucos são aqueles que eu trabalhei em pouco tempo. Então, essa possibilidade de desenvolvimento do trabalho dentro do Botafogo também me trouxe, até pelo know-how passado, uma expectativa de poder fazer um trabalho a médio prazo.
Reestruturação em nova SAF e como enxerga o Botafogo
— O Botafogo é muito grande, são milhões de torcedores. O Léo me perguntou como estava a minha família, eu disse que radiante. Eles estavam em recebendo com sorrido e me abraçando. Uma coisa que não abro e essa é inegociável, de conduta pessoal. Ela é com o clube e antes ela é comigo e com as pessoas com quem eu trabalho. Tomara que a competência pessoal me conduza a ficar esse tempo todo, mas ela só vem junto com os resultados, mas a grandeza do clube, e quiçá no meu passado eu pudesse imaginar que eu seria técnico do Botafogo. Talvez eu seja privilegiado, e que o Botafogo esteja abrindo as portas para mim para fazer um trabalho, tomara, de sucesso.
Primeiras impressões e contato com o elenco
— A busca, a partir do momento que nós tivemos essa possibilidade de vir para cá, claro que ela foi integrada. Nós buscamos o maior número de informações possíveis, eticamente não abordando, não conversando com os analistas, não conversando com os técnicos, porque não havia firmado, mas nos preparando para tal. É minha função, não estou fazendo mais nada, porque o respeito e a conduta profissional traz. E a partir daí, sim, seguramente, estando com todo o departamento de análise, com os profissionais da área, onde nós tivemos a condição de conversar, mas ela é muito rápida, fica com o envolvimento da emoção do jogo. E claro que analisando os jogos, o jogo que fez contra o Palmeiras, o jogo que fez contra o Flamengo, e outros jogos que teve, quando você olha aqui, no jogo do Cienciano, com vinte minutos era para estar com um placar mais dilatado, enfim, você começa a ter um esboço, mas a profundidade desse trabalho vai estar nessa relação com a comissão técnica que deva permanecer. E nós conversamos, o Léo está olhando para ele, porque eu falei: os bons profissionais que aqui estão devem permanecer. Eu não quero, e já passei de ter a pretensão de pegar a minha equipe, botar, e quem tiver eu vou sobrepor aqui. Isso não faz parte de mim. Quem olha para a minha história sabe o que tem, potencializa a equipe que está, se tem uma necessidade, traz. Então vem eu, Flavio, Matheus, e aí a gente integra. Eu não sei se o convite feito ao Bellão vai permanecer, porque é uma peça importantíssima no momento de transição, isso não é dito agora com a oportunidade da vitória que teve, isso foi colocado antes, ontem, o Léo pode falar a respeito. Então, agregar forças ao trabalho do Botafogo, esse também é o meu objetivo.
Estará à beira do gramado no próximo jogo
— Eu te confesso que estar na beira do gramado é mais sereno, mais de observação, do que ter assistido. Eu até falei para nós que estávamos juntos, eu não seria diretor nunca de uma equipe. O meu chão é estar mais ali embaixo, é o meu chão, aquilo que eu, ao longo da vida, por ser professor de educação física, por começar uma carreira de técnico com vinte e oito anos, extremamente precoce, porque parei, estourei meus dois joelhos, enfim, quem tem um pouquinho da minha história já sabe, me formei em educação física, busquei cursos, busquei evolução para olhar para trás e fazer a trajetória que fiz. Então, tenho uma alegria e um prazer muito grande. Agora está integrado e está dentro do trabalho.
Motivação diferente depois dos últimos trabalhos?
— Estou muito feliz, motivado. O futebol faz parte da minha avisa. E não vou entrar no detahe dos últimos trabalhos. O Cruzeiro, em três meses, fomos campeões mineiros. Não teve um bom início de Brasileiro porque não dá para ganhar tudo, é inevitável, considerando todas as variáveis da coisa, mas mantendo a saúde. O Flamengo nós fomos campeões cariocas e saímos na Libertadores com três jogadores machucados. Mas são etapas e cada clube tem o seu próprio projeto, suas próprias ambições, decisões. Isso faz parte. O que eu quero ter aqui, e esse é o mais significativo, é a possibilidade de competência profissional e de agregar uma equipe toda de trabalho. Tomara que tenha sucesso a médio prazo, mas com consciência de que o resultado precisa estar junto.
Reformulação e montagem no elenco; hierarquia em relação ao filho e Bellão
— Sempre, em todos os processo, a decisão é dura e solitária do técnico. Intranferível e inegociável. O que tem é uma equipe de trabalho e que te municia de informações. Por exemplo: o Bellão fez um modelo no primeiro tempo, no segundo mudou, e no transcurso foi outro. A conversa era constante o auxiliar Marcelo. Isso faz parte de um contexto, isso é trabalho em equipe. E não há autonomia de técnico para a contratação de qualquer atleta. Ela tem é coparticipação, trabalho de equipe e tem que ser bom para o Botafogo, não para mim. Não tenho essa pretensão e já tenho idade o suficiente (para saber iss). O que eu não tinha antes. Então ela tem que ser de forma conjunta. estrutural. Seria muito fácil pedir um jogador e ele não vir, usar isso de escudo depois: "não ganhei porque lá no início eu falei...". Não é, é coparticipação para uma decisão final e isso a gente vai fazer. Deixando bem claro e quem me conhece sabe: é um trabalho de equipe, e a decisão final é minha.
Sobre momento do clube
— Eu penso que a grandeza do Botafogo, ela te permite a ambição, a busca de títulos. O que há também é um momento em que todas as equipes que não atingiram ainda uma pontuação suficiente para sair de uma zona de perigo, elas vivem ainda nesse embate, nessa competição. Ela tem, na minha opinião, o Campeonato Brasileiro, ele achatou. O nível de todos os clubes, eles são muito parecidos, eles são muito parecidos, exceção de investimentos, dois da frente, que eles se trazem um pouco mais. Quem estava um pouco abaixo cresceu bastante, a ponto de tu encontrar resultados, por exemplo, da Chapecoense, que é o último, que tem vencido jogos extremamente importantes contra equipes importantes. Só para exemplificar. Então, um primeiro momento, ele é dessa pontuação, e depois a ambição, ela é de ambicionar outras situações que elas possam acontecer, o quanto mais rápido possível, atingir essa pontuação, sim. Pego para exemplificar que, sete rodadas do Campeonato Brasileiro no Corinthians, campeão da Libertadores, nós estávamos na zona de rebaixamento, e eu coloquei a exemplo, nós só vamos buscar uma preparação para Mundial e buscar Mundial, só para exemplificar, eu consigo ilustrar, no momento que nós chegarmos com 45 pontos, aí tu ambiciona e prepara. Então, esse momento, esse próximo passo, ele é o mais importante. Essa primeira trajetória para é ampliar o horizonte, para abrir possibilidades maiores.
Pragmatismo no trabalho
— Respeito as opiniões diferentes, absolutamente. Nós vivemos num país democrático que tem a liberdade de externar. Aí eu me remeto à história: 5-3-2 no Grêmio, 4-4-2 no Internacional, Caxias campeão 4-4-2, só para dar exemplo, Corinthians campeão em 2011 com uma equipe mais reativa, Corinthians campeão em 2015 com uma equipe com uma criatividade absurda, Seleção Brasileira de 2018 jogando bonito demais, chegando no ápice de uma condição. Só aí eu exemplifiquei. Se isso é pragmatismo, então vai continuar com esse pragmatismo.
O que fez aceitar o convite?
— É fundamentalmente um trabalho desenvolvido a médio prazo. Eu não acredito que tenha varinha mágica. Eu sei da necessidade do resultado, eu não sou nenhum ingênuo em relação a isso, mas quando a premissa de fazer um trabalho a médio prazo te traz algum componente estruturado, dizendo assim: a gente sabe a noção exata das pressões do futebol, da necessidade, mas também respeita para se consolidar um tempo para que isso aconteça. Talvez isso tenha sido mais significativo.
Estilo de jogo que pretende adotar no Botafogo
— Eu brinco que a assinatura de um quadro não pode ser maior que o próprio quadro. Quero dizer que os protagonistas são os atletas. A minha adaptação será às características dos atletas. Tu faz ajustes. O ajuste que posso sintetizar é uma equipe equilibrada, que saiba trabalhar em transição com posse ou em velocidade. Sem bola que ela possa compactar, sendo 4-1-4-1 no primeiro tempo, no 4-4-2 ou no 5-3-2, como aconteceu ontem. Peguei as três variações de ontem. E nesse trabalho junto com o Bellão também vaia acintar esse processo todo. A cara é do Botafogo, não a minha cara.
Já está mais adaptado à avalanche das redes sociais? (em relação ao período no Flamengo)
— A realidade é que eu continuo tendo só de mídia social e respeitando, porque ela te traz toda uma gama de informações, e como em qualquer situação existem bons e maus profissionais. O que eu tenho sim é só o WhatsApp para que eu possa desenvolver o meu trabalho, porque devo ficar centrado em outras situações, respeitando todas as outras mídias, e talvez a adaptação que eu tenha sentido nesse momento foi trabalhar sete anos de Seleção e o ritmo de clube ser um ritmo diferente. Talvez esse tenha sido o mais considerável nesse aspecto de todos, terça, quinta, domingo, como é o caso agora, essa adaptação, essa readaptação, ela me trouxe a estímulo, recuperação, viagem, logística, recuperação mental, atleta pressionado, jogando sobre uma atenção de grandes clubes para grandes marcas, para grandes resultados. Essas percepções, todo esse ajuste, sim, talvez tenha sido mais significativo.
Reencontro com o Alex Telles depois desse tempo todo
— Difícil individualizar. Alex é um grande pessoa, de um grande caráter, uma referência, capitão da equipe. Conduta pessoal e profissional do mais alto nível. Conheço ele e Edenílson, e esteve presente na história que contei do título mundial. Ele, o Allan, o Cabral, na Seleção. Uma série de jogadores importantes. Mas volto a dizer que o trabalho em equipe é extremamente importante.
O que dizer para o torcedor que está desconfiado?
— O torcedor é essencial, é o objetivo maior da grandeza do clube. Tenho todo o respeito em qualquer que seja a opinião e faço de uma maneira muito serena porque entendo futebol e vivencio ele nas diferentes áreas, dentro de campo, fora e até na imprensa. Passei um ano invicto sendo comentarista. Tenho expertise nas diferentes áreas para entender as opiniões diferentes, que não são ofensas e faz parte do jogo. Compete a nós fazer um bom trabalho e o Botafogo está acima de qualquer coisa.
Sistema defensivo do Botafogo, que é um problema crônico
— Tenho ideia pré-concebida de equipe equilibrada. Não posso ser propositivo se eu não tiver a posse de bola. Eu tendo posse, ou ela é em transição em velocidade ou com jogo apoiado, mas com Montoro, ela não vai ser em velocidade, mas com bola no pé. Com Huguinho será de bola no pé, Danilo também. Pode ser de profundidade com Matheus Martins, com Cabral. Com Vitinho, em ultrapassagem como no primeiro gol. Estou te dando exemplos de fatores de ponto de equilíbrio para a equipe. O Telles é mais constrututor. Zagueiros com muita velocidade para correr para trás. E aí faz uma composição nas características de contratações que o Botafogo fez.
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