Syagrus angustifolia Noblick & Lorenzi é uma espécie de palmeira de pequeno porte pertencente à família Arecaceae e ao gênero Syagrus. Conhecida popularmente como coco-de-vassoura, é uma planta nativa e endêmica do estado de Minas Gerais, Brasil. Foi descrita originalmente em 2010 pelos botânicos Larry Noblick e Harri Lorenzi em publicação no periódico científico Palms.

Descrição botânica Trata-se de uma palmeira acaulescente e inerme (sem espinhos), com hábito de crescimento que pode ser simples ou cespitoso, desenvolvendo um estipe (caule) essencialmente subterrâneo ou extremamente curto, crescendo isolada ou formando colônias (touceiras) densas com até 7 centímetros de diâmetro. A altura aérea visível da planta varia tipicamente de 0 a 50 centímetros em populações típicas, atingindo até 69–70 centímetros em populações de altitude na Serra do Cabral.

Folhas As folhas são de postura ereta a levemente arqueada, contabilizando de 3 a 8 folhas contemporâneas por estipe, com coloração verde e comportamento levemente discolor entre as faces. A bainha foliar é persistente, possui disposição helicoidal ao redor do estipe e mede de 6 a 15 centímetros de comprimento (7–8 centímetros na população cabraliense), com margens marcadamente fibrosas. O pecíolo apresenta margens inermes, medindo de 4,5 a 20 centímetros de comprimento, com revestimento externo de fibras achatadas. A ráquis foliar mede entre 29 e 57 centímetros de comprimento. Os folíolos (pinas) possuem consistência coriácea a membranácea, estrutura linear e flexível ou rígida, com ápice acuminado e marcadamente assimétrico. A folha possui de 14 a 25 pinas de cada lado da ráquis, distribuídas de forma irregular em agrupamentos de 1 a 2 pinas inseridas em múltiplos planos e ângulos na ráquis. As pinas localizadas na base medem de 10 a 34 centímetros de comprimento por 0,1 a 0,5 centímetros de largura; as pinas da porção medial da ráquis medem de 18 a 33,8 centímetros de comprimento por 0,8 a 1,0 centímetro de largura; já as pinas apicais medem de 10 a 23,5 centímetros de comprimento por 0,2 a 0,6 centímetros de largura.

Inflorescência e flores A inflorescência possui emersão interfoliar e postura ereta a pendente, mantendo a infrutescência exposta entre as folhas. O espádice (bráctea peduncular) é sulcado, pruinoso e possui consistência fibro-lenhosa, medindo de 17 a 40 centímetros de comprimento total, com uma porção expandida de 11 a 27 centímetros de comprimento por 1,7 a 2,6 centímetros de largura e terminando em um bico apical de até 1 centímetro. O prófilo mede de 7 a 43 centímetros de comprimento por 1 a 2,5 centímetros de largura. O pedúnculo mede de 5 a 19 centímetros de comprimento por 0,4 a 0,6 centímetros de diâmetro. A ráquis da inflorescência pode estar ausente ou apresentar de 7 a 18 centímetros de comprimento, sendo glabra ou esparsamente tomentosa. A arquitetura da inflorescência pode ser estritamente espiciforme (não ramificada) ou paniculada, contendo de 1 a 8 ráquilas robustas e curtas (de 3,5 a 12 centímetros de comprimento) que se inserem de forma unilateral e congesta sobre a ráquis. As flores possuem coloração creme ou amarelada; as flores estaminadas (masculinas) medem de 4,5 a 12 milímetros de comprimento, enquanto as flores pistiladas (femininas) medem de 11 a 15 milímetros de comprimento por 5 a 7 milímetros de largura.

Frutos Os frutos possuem formato elíptico a elipsoide, medindo de 2,3 a 3,5 centímetros de comprimento por 1,5 a 2,5 centímetros de diâmetro. O epicarpo externo é esverdeado a verde-amarelado quando maduro, apresentando uma superfície que varia de glabra a recoberta por uma densa camada tomentosa e ferrugínea, frequentemente com indumento concentrado no ápice. O mesocarpo é do tipo fibroso e suculento. O endocarpo é lenhoso, com formato fusiforme a oval, medindo de 2,2 a 2,9 centímetros de comprimento por 0,8 a 1,6 centímetros de diâmetro, contendo em seu interior um endosperma homogêneo e regular com uma semente.

Distribuição geográfica e habitat A Syagrus angustifolia é endêmica da porção noroeste e central do estado de Minas Gerais, no Brasil. Historicamente, a espécie possuía registro de ocorrência restrito ao município de João Pinheiro, coletada em altitudes de aproximadamente 820 metros sob as coordenadas geográficas de 17° 21' 17" S de latitude e 46° 4' 29" W de longitude. Em 2020, expedições de campo registraram pela primeira vez a ocorrência de populações da espécie na Cadeia do Espinhaço, localizadas na porção norte da Serra do Cabral, dentro dos limites do município de Joaquim Felício (e estendendo-se próximo a Buenópolis). A espécie habita os domínios fitogeográficos do Cerrado (Cerrado *sensu stricto* e cerrado de altitude) e da Mata Atlântica (Floresta Estacional Semidecidual), crescendo em solos rochosos e de textura arenosa com boa drenagem, classificados como Neossolos quartzarênicos e Neossolos Litólicos.

Ecologia e comparações taxonômicas Diferencia-se de outras espécies acaulescentes do gênero pelas seguintes características morfológicas:

Syagrus graminifolia: Espécie com a qual é facilmente confundida, mas que se diferencia por possuir inflorescências paniculadas com ráquilas estreitas, alongadas e distribuídas de forma helicoidal e espaçada (unilateral e congesta em *S. angustifolia*), além de frutos menores, com 1,9 a 2,2 centímetros de comprimento. Syagrus guimaraesensis: Diferencia-se por apresentar um número menor de pinas por folha (6 a 16 pinas, contra 16 a 25 em *S. angustifolia*) e frutos menores com comprimento de 2,0 a 2,2 centímetros. Syagrus minor: Afasta-se por possuir um hábito estritamente simples (solitário) e frutos menores, medindo de 2,2 a 2,8 centímetros de comprimento. Syagrus longipedunculata: Apresenta hábito simples, flores estaminadas muito maiores (14 a 18 milímetros de comprimento) e frutos de menores dimensões (2,0 a 2,3 centímetros).

Estado de conservação De acordo com os critérios de mapeamento botânico baseados nas coletas conhecidas, a Syagrus angustifolia apresenta uma extensão de ocorrência estimada em 1 648 km2 e uma área de ocupação real de apenas 16 km2. Devido a esses parâmetros geográficos criticamente reduzidos, o status de conservação sugerido e aceito pela literatura científica para a espécie é de **"Em Perigo de Extinção"** (EN). A população recentemente mapeada na Serra do Cabral encontra-se no limite ecológico entre a zona de amortecimento do Parque Estadual da Serra do Cabral e áreas externas não protegidas, o que expõe os indivíduos a riscos potenciais decorrentes da instalação de carvoarias, pressões de atividades agropecuárias e desmatamento. Cientistas recomendam a mitigação dessas ações através da incorporação oficial desse território às áreas de proteção integral do Parque.

Referências

Ligações externas Syagrus angustifolia no World Flora Online (WFO) Syagrus angustifolia no Plants of the World Online (Kew) Syagrus angustifolia na Flora e Funga do Brasil (Jardim Botânico do Rio de Janeiro) Syagrus angustifolia no Global Biodiversity Information Facility (GBIF)