Arthur Schopenhauer resumiu a experiência humana em uma única imagem: um pêndulo que nunca para. Para o pensador alemão, a vida alterna sem descanso entre o desconforto do desejo e o vazio que vem depois dele ser satisfeito. A frase, publicada em O Mundo como Vontade e Representação, continua sendo citada quase dois séculos depois porque descreve algo que muita gente sente, mas raramente coloca em palavras. Schopenhauer escreveu a obra antes dos trinta anos, e ela viria a se tornar a base de todo o restante do seu pensamento.
O que Schopenhauer quis dizer com a metáfora do pêndulo?
Segundo o filósofo alemão, a existência oscila entre dois estados desconfortáveis. Quando um desejo não é satisfeito, sentimos dor. Quando ele finalmente é satisfeito, a sensação de alívio dura pouco e dá lugar ao tédio, porque nenhum objetivo alcançado sustenta a satisfação por muito tempo. Schopenhauer chamava esse impulso de fundo de vontade, um termo que ele usava para descrever uma força cega, sem propósito definido, presente em cada ser vivo.
A leitura acadêmica dessa ideia aparece detalhada na Enciclopédia de Filosofia da Universidade de Stanford, que descreve a vida cotidiana, na visão do autor, como uma sequência interminável entre sofrimento e vazio. O texto reforça que essa oscilação nasce da própria estrutura do desejo, não de circunstâncias externas específicas. Segundo essa análise, mesmo quando um problema concreto desaparece da vida de alguém, a mente logo encontra um novo motivo de inquietação para ocupar o espaço vazio.
Filósofo alemão explica como desejo e tédio se alternam na vida - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
Como a vontade governa o comportamento humano?
Para Schopenhauer, um impulso cego chamado vontade está por trás de cada desejo humano, da fome à ambição profissional. Veja como esse impulso molda o comportamento, segundo o autor:
- A vontade nunca se satisfaz por completo, porque toda conquista abre espaço para um novo desejo.
- A ausência de um desejo urgente não gera felicidade duradoura, apenas o vazio do tédio.
- A dor e o tédio se revezam ao longo da vida, sem que nenhum dos dois desapareça de vez.
Essa alternância pode ser resumida em três estados que se repetem ao longo da vida, segundo a leitura clássica da obra do autor. O quadro abaixo organiza essa dinâmica.
⚖️ Os três estados do pêndulo de Schopenhauer
Como dor, tédio e contemplação se alternam na vida
😣
Dor
Surge do desejo ainda não satisfeito, uma sensação de falta constante.
😐
Tédio
Aparece quando o desejo é saciado e nenhum novo objetivo toma seu lugar.
🎨
Contemplação
Oferece uma fuga temporária, segundo o autor, através da arte e da moral.
Fonte: Enciclopédia de Filosofia da Universidade de Stanford, verbete sobre Schopenhauer.
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Existe alguma saída para esse ciclo, segundo Schopenhauer?
O próprio Schopenhauer sugere caminhos para suspender, ainda que temporariamente, essa oscilação. Confira três formas de transcendência que ele descreve em O Mundo como Vontade e Representação:
- Contemplação estética: observar uma obra de arte permite esquecer, por alguns instantes, os próprios desejos.
- Consciência moral: reconhecer o sofrimento alheio como parte da mesma experiência humana reduz o peso do egoísmo.
- Renúncia: abrir mão voluntariamente de desejos supérfluos traz uma calma mais duradoura, segundo o autor.
Por que essa ideia ainda faz sentido hoje?
A observação de Schopenhauer atravessou o tempo porque descreve um padrão fácil de reconhecer: a euforia de uma conquista que esfria rápido, seguida pela busca por um novo objetivo. Redes sociais e consumo acelerado deixam esse ciclo ainda mais visível, alternando a ansiedade de querer algo com o vazio de já ter conseguido. Mesmo quem discorda do pessimismo do autor reconhece esse padrão em situações do dia a dia, da compra que perde a graça em poucos dias até a promoção no trabalho que logo dá lugar a uma nova meta.
Obra de Schopenhauer apresenta a vontade como força do comportamento humano - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
Vale a pena levar o pessimismo de Schopenhauer a sério?
Não é preciso concordar com todo o pessimismo de Schopenhauer para aproveitar sua observação. Reconhecer o próprio pêndulo entre dor e tédio já ajuda a esperar menos de cada conquista isolada e a lidar melhor com a sensação de vazio que costuma vir logo depois dela.
Da próxima vez que uma meta alcançada parecer vazia rápido demais, vale lembrar da imagem do pêndulo e respirar um pouco mais fundo.
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