Há datas que parecem impossíveis de esquecer. Para quem tinha idade suficiente para entender o que estava acontecendo em 11 de setembro de 2001, é comum lembrar exatamente onde estava e como recebeu a notícia dos atentados que mudaram a história recente. Mas, enquanto os ataques deixaram uma marca profunda pela tragédia, do outro lado da fronteira, uma pequena cidade canadense viveu uma história sobre solidariedade em meio ao caos.É essa história que está no centro de Vindos de Longe, musical em cartaz no Teatro Ruth Escobar, em São Paulo. A montagem acompanha os acontecimentos vividos em Gander, na ilha de Terra Nova, após o fechamento do espaço aéreo norte-americano. Naquele dia, 38 aviões foram desviados para o aeroporto local, levando cerca de 7 mil passageiros para uma cidade de aproximadamente 9 mil habitantes. A população se mobilizou para oferecer comida, roupas, abrigo e apoio aos desconhecidos que precisaram permanecer ali por vários dias.Saulo Vasconcelos interpreta Claude Elliott, prefeito de Gander na época dos atentados. Ao revisitar a história 25 anos depois, o ator acredita que a mensagem do espetáculo continua atual.“A história se faz necessária ainda porque a gente vai sempre viver crises, crises de guerra, crises de aquecimento global. E, se não fosse a solidariedade, o mundo seria um pouquinho mais insuportável do que está atualmente, com esses conflitos todos, com essas catástrofes climáticas todas.”Para Saulo, a proximidade de Claude com os moradores de Gander foi fundamental para construir o personagem.De uma hora para outra, Claude precisou lidar com uma cidade que praticamente dobrou de tamanho.“Uma cidade com 9 mil habitantes, de repente, dobra a população com o pouso forçado de 38 aviões. Ele tem que lidar com tudo aquilo, oferecendo comida, hospedagem e roupas. Ele realmente é o cara.”Além de Claude, Saulo interpreta Derm, prefeito da cidade vizinha, e outros personagens na produção brasileira, que reúne 16 atores.O musical também apresenta a experiência dos passageiros que ficaram isolados, longe de casa e sem saber quando poderiam voltar.“A perspectiva de essas pessoas não poderem se comunicar com seus parentes, amigos e familiares em geral traz um outro lado que, obviamente, não é tão catastrófico e trágico quanto estar nas Torres Gêmeas, estar no voo United 93, que caiu no meio do nada, ou estar naquele voo que também se chocou contra o Pentágono.” Em 2001, não havia smartphones ou mensagens instantâneas. Em Gander, moradores disponibilizaram telefones e computadores para que os passageiros tentassem falar com seus familiares.Para Saulo, uma das falas do espetáculo resume o sentimento de quem conseguiu escapar da tragédia.“Eu acho que a frase mais impactante do espetáculo é quando um dos passageiros que pousa em Terra Nova fala: ‘Eu só sei que eu não estava lá’.”Segundo o ator, a frase representa o alívio de quem percebe que sobreviveu.“Aquilo me chamou muito a atenção porque é quase como se fosse um alívio, como se ele dissesse: ‘Cara, eu estou vivo, eu estou bem. Já já eu vou entrar em contato com a minha família, com os meus amigos e vou informar que está tudo bem. Mas eu estou vivo. Eu sou grato por isso.’”Criado por Irene Sankoff e David Hein, Come From Away foi adaptado no Brasil como Vindos de Longe. A montagem brasileira estreou em junho de 2026 e segue em cartaz no Teatro Ruth Escobar até 27 de setembro.Nesta sexta-feira (11), data que marca os 25 anos dos atentados, o espetáculo terá uma sessão especial com a presença do embaixador do Canadá no Brasil, Eric Walsh, e de Vini Munhoz, CEO e fundador da VME, produtora responsável pela montagem brasileira.✅Para saber tudo do mundo dos famosos, siga o canal de entretenimento do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp












