A Operação Imergente é uma operação policial e investigação criminal portuguesa, desencadeada em 28 de maio de 2026 pela Polícia Judiciária (PJ), através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, no âmbito de um inquérito dirigido pelo DIAP Regional de Lisboa. A operação incide sobre suspeitas de crimes ligados à adjudicação de contratos por câmaras municipais e juntas de freguesia, nomeadamente através de procedimentos de ajuste direto e consulta prévia alegadamente realizados em violação das normas legais aplicáveis. Segundo a Polícia Judiciária, a operação visou o cumprimento de 60 mandados de busca domiciliária e 32 mandados de busca não domiciliária nas zonas de Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra, envolvendo a investigação de crimes de prevaricação e participação económica em negócio relacionados com contratos adjudicados por autarquias e juntas de freguesia. Foram feitas também diligências na Amadora e buscas na sede nacional do Partido Socialista, em Lisboa, bem como em várias juntas de freguesia e câmaras da Área Metropolitana de Lisboa. Até ao início da tarde de 28 de maio de 2026, a PJ tinha anunciado quatro detenções fora de flagrante delito, uma detenção em flagrante delito por posse ilegal de arma e a constituição de 37 arguidos. A operação mobilizou cerca de 400 inspetores e peritos da Polícia Judiciária e sete magistrados do Ministério Público.
Antecedentes e objeto da investigação A investigação incide sobre alegadas irregularidades em contratos públicos adjudicados por autarquias e juntas de freguesia. De acordo com a Polícia Judiciária, estão em causa procedimentos de ajuste direto ou de consulta prévia que terão sido realizados em violação das normas legais aplicáveis e com prejuízo para o erário público. O inquérito teve por objeto principal factos relativos a adjudicações por autarquias, num valor global próximo de dois milhões de euros, bem como a emissão de faturas para recebimento indevido, por dois suspeitos, de quantias provenientes de partido político. Segundo a mesma fonte, além de suspeitas de prevaricação e participação económica em negócio, o Ministério Público investiga ainda a eventual prática de peculato, abuso de poderes, burla qualificada, falsificação de documento e fraude fiscal qualificada. Um dos focos da investigação é a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa, assim como alegados favorecimentos na contratação de militantes socialistas e na adjudicação direta de serviços a empresas ligadas ao Partido Socialista. Os factos sob investigação teriam ocorrido entre 2016 e 2022.
Buscas e detenções A operação foi desencadeada em 28 de maio de 2026, com buscas em vários pontos do país. Segundo a PJ, os mandados foram cumpridos nas zonas de Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra, abrangendo também a Amadora e várias freguesias e câmaras da Área Metropolitana de Lisboa. Entre os locais alvo de buscas esteve a sede nacional do Partido Socialista, no Largo do Rato, em Lisboa. A PJ anunciou cinco detenções: quatro fora de flagrante delito e uma em flagrante delito, esta última por posse ilegal de arma. Foram também constituídos 37 arguidos. Um dos detidos foi Duarte Moral, antigo assessor de António Costa e, à data da operação, colaborador ligado à comunicação do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro. O antigo presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, é também um dos visados pela investigação. Os detidos deveriam ser presentes ao Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, para primeiro interrogatório judicial e eventual aplicação de medidas de coação. A operação foi conduzida pela Polícia Judiciária através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, com acompanhamento de sete magistrados do Ministério Público. O inquérito é dirigido pelo DIAP Regional de Lisboa.
Reações O Partido Socialista confirmou, em comunicado, que a Polícia Judiciária estava na sua sede nacional a realizar diligências relacionadas com atividades imputadas a um dos seus trabalhadores, mas afirmou que o partido «não é, como tal, visado pela investigação», acrescentando estar a colaborar com a PJ no sentido de assegurar a boa condução das investigações e o respeito pelas regras do Estado de direito. A líder da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, afirmou estar surpreendida com os contornos do caso e esperar que a justiça fizesse o seu trabalho. O deputado socialista André Rijo, antigo coordenador autárquico do PS, afirmou que competia às autoridades judiciárias fazer o seu trabalho e que caberia ao PS retirar consequências políticas se elas existissem.
Referências
