A Estônia está ampliando sua presença diplomática no Brasil em um momento simbólico para as relações entre os dois países. Em 2026, Brasil e Estônia celebram 35 anos de relações diplomáticas, enquanto o país europeu prepara a reabertura oficial de sua embaixada em Brasília.Em entrevista à jornalista Fabiana Ceyhan, do Diplomacia e Embaixadas, a embaixadora da Estônia, Moonika Kase, destacou a importância estratégica atribuída ao Brasil, falou sobre as possibilidades de ampliação da cooperação econômica e tecnológica e apresentou um pouco de um país que se tornou referência mundial em digitalização de serviços públicos. Recém-chegada ao Brasil para assumir sua missão, a diplomata também falou sobre suas primeiras impressões do país, a comunidade estoniana, gastronomia, turismo e a presença crescente de brasileiros no setor de tecnologia da Estônia.Fabiana Ceyhan — A senhora está há pouco tempo no Brasil. Como têm sido esses primeiros meses no país? Já conhecia o Brasil anteriormente?Moonika Kase — Cheguei em agosto e, nesse período, já precisei viajar uma vez à Estônia, então ainda não estou aqui há tanto tempo. Mas me sinto realmente muito bem acolhida. É muito bom estar aqui e estou muito feliz.Eu já havia estado no Brasil anteriormente. Conhecia Brasília e também viajei a trabalho para o Rio de Janeiro e São Paulo. Quando estava em Lisboa, cumprindo minha missão diplomática anterior, acompanhei durante algum tempo o Brasil como embaixadora não residente.Fabiana Ceyhan — A instalação da representação em Brasília representa uma nova etapa da presença diplomática estoniana no país?Moonika Kase — Na verdade, para sermos exatos, estamos reabrindo a embaixada. Já tivemos uma embaixada aqui, mas infelizmente tivemos de fechá-la há dez anos. Agora estamos muito felizes por estar de volta e novamente presentes.Isso demonstra a importância e o peso das relações bilaterais. Vemos o Brasil como um país muito importante na região e também globalmente. Foi por isso que o nosso governo decidiu reabrir a embaixada e enviar uma embaixadora residente para estar presente no país.Fabiana Ceyhan — 2026 também é um ano importante para as relações entre os dois países, correto?Moonika Kase — Exatamente. Em 2026, comemoramos 35 anos de relações diplomáticas entre a Estônia e o Brasil. Além disso, temos uma grande novidade: a abertura oficial da Embaixada da Estônia em Brasília está prevista para o final de novembro, com a presença do nosso ministro dos Negócios Estrangeiros.Fabiana Ceyhan — Como está organizada atualmente a comunidade estoniana no Brasil?Moonika Kase — A maior parte da diáspora estoniana no Brasil está concentrada nas regiões de São Paulo e do Rio de Janeiro. São famílias ligadas a diferentes períodos de imigração, principalmente do final do século XIX e da época das Guerras Mundiais.Fabiana Ceyhan — No campo econômico, quais são as perspectivas para as relações entre Estônia e Brasil, inclusive diante do Acordo União Europeia–Mercosul?Moonika Kase — Temos grandes expectativas de cooperação em diferentes setores. Também teremos uma missão empresarial ligada ao setor agrícola estoniano, acompanhada pelo nosso ministro da Agricultura, que visitará São Paulo para encontros com parceiros brasileiros.Reconhecida internacionalmente pela digitalização de sua administração pública, a Estônia transformou a tecnologia em um dos pilares de sua economia e da relação entre o Estado e o cidadão.Fabiana Ceyhan — Qual é hoje a importância do setor de tecnologia da informação para a economia estoniana?Moonika Kase — As soluções inteligentes e a tecnologia da informação constituem um dos maiores e mais dinâmicos setores econômicos da Estônia. Ao mesmo tempo, continuamos tendo setores tradicionais fortes, como a silvicultura e a agricultura.Fabiana Ceyhan — Existem oportunidades nesse mercado para profissionais brasileiros?Moonika Kase — Sim. O número de brasileiros trabalhando no setor tecnológico na Estônia vem crescendo significativamente. A Estônia integra a União Europeia e a OTAN desde 2004, e brasileiros que também possuem cidadania de um país da União Europeia encontram maior facilidade para residir e trabalhar no país.Fabiana Ceyhan — E até que ponto a digitalização está presente na vida cotidiana dos cidadãos?Moonika Kase — Hoje, praticamente todos os nossos serviços públicos podem ser realizados online. Nosso sistema educacional também reflete esse investimento no futuro e apresenta resultados de destaque nas avaliações do PISA.Fabiana Ceyhan — Como a senhora compara a transformação digital da Estônia com os avanços tecnológicos registrados no Brasil?Moonika Kase — O Brasil tem avançado bastante e é justo destacar, por exemplo, a grande eficiência do sistema Pix. A principal diferença está na escala. A Estônia tem uma população de aproximadamente 1,3 milhão de habitantes, o que facilita a implementação rápida de soluções digitais.O Brasil, por sua vez, enfrenta o desafio natural de administrar um território e uma população enormemente maiores.Fabiana Ceyhan — Qual foi a sua percepção do Brasil e o que mais chamou sua atenção?Moonika Kase — O Brasil é um país verdadeiramente fascinante. Sua enorme dimensão e a diversidade cultural que encontramos de um estado para outro impressionam qualquer pessoa.Fabiana Ceyhan — E a gastronomia brasileira? Já tem pratos preferidos?Moonika Kase — Sem dúvida. Gosto muito da comida brasileira. Se tivesse de escolher os meus pratos favoritos, destacaria a feijoada e a picanha.Localizada no norte da Europa, às margens do Mar Báltico, a Estônia combina sua imagem de sociedade altamente digitalizada com extensas áreas naturais.Fabiana Ceyhan — Para o brasileiro que ainda conhece pouco a Estônia, como a senhora apresentaria o país?Moonika Kase — A Estônia está localizada no norte da Europa, faz fronteira terrestre com a Letônia e a Rússia e está muito próxima da Finlândia. Helsinque fica a uma curta viagem de Tallinn, nossa capital.Temos uma natureza muito preservada, com grandes áreas de florestas e pântanos.Fabiana Ceyhan — E como são as estações do ano?Moonika Kase — Temos quatro estações bem definidas. No verão ocorre o fenômeno das chamadas “noites brancas”, quando quase não escurece nas proximidades do solstício. No inverno, temos neve e temperaturas negativas.Fabiana Ceyhan — E o que um brasileiro deve experimentar da gastronomia estoniana?Moonika Kase — Nossa culinária tradicional recebeu influências de diferentes países da região. No inverno, são comuns pratos com carne de porco, batatas, chucrute, sült, linguiça de sangue e diferentes sopas quentes. No verão, as pessoas gostam muito de fazer churrascos e preparar saladas frescas ao ar livre.Fabiana Ceyhan — Embaixadora, muito obrigada pela entrevista e por compartilhar conosco um pouco mais sobre a Estônia e esta nova etapa das relações com o Brasil.Moonika Kase — Muito obrigada pelo convite e pela oportunidade.Fique por dentro das principais notícias que movimentam a Diplomacia e Embaixadas. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp








