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Novo teste coloca computadores quânticos lado a lado e revela quanto falta para máquinas úteis no mundo real
Novo teste coloca computadores quânticos lado a lado e revela quanto falta para máquinas úteis no mundo real · Imagem: Source: olhardigital.com.br

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Novo teste coloca computadores quânticos lado a lado e revela quanto falta para máquinas úteis no mundo real
Novo teste coloca computadores quânticos lado a lado e revela quanto falta para máquinas úteis no mundo real · Imagem: Source: olhardigital.com.br

Um novo benchmark desenvolvido para comparar computadores quânticos em uma mesma escala revelou diferenças significativas entre máquinas de ponta — e também mostrou que a tecnologia ainda está muito distante de executar alguns dos cálculos para os quais foi desenvolvida.

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Novo teste coloca computadores quânticos lado a lado e revela quanto falta para máquinas úteis no mundo real · Imagem: Source: olhardigital.com.br

Chamado de Quantum Universal Operation Performance System (QUOPS), o teste foi criado por uma equipe liderada pelo Sandia National Laboratories, nos Estados Unidos. Pesquisadores aplicaram o benchmark a sistemas de Google, IBM e Quantinuum para medir não apenas a velocidade das máquinas, mas também o tamanho dos circuitos quânticos relevantes que elas conseguem executar com sucesso.

Imagem da matéria: Novo teste coloca computadores quânticos lado a lado e revela quanto falta para máquinas úteis no mundo real
Imagem da matéria: Novo teste coloca computadores quânticos lado a lado e revela quanto falta para máquinas úteis no mundo real · Imagem: Processadores supercondutores da Google e da IBM seguem uma estratégia diferente – Imagem: gorodenkoff/iStock

O resultado mais importante é que o melhor desempenho registrado em hardware físico foi de 1.824 QUOPS, enquanto problemas considerados grandes desafios para a computação quântica exigiriam algo entre 250 milhões e 340 milhões de QUOPS.

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Isso significa que os computadores quânticos atuais ainda precisam aumentar sua capacidade computacional em aproximadamente 100 mil vezes para alcançar esse tipo de aplicação.

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Novo benchmark tenta criar uma régua única

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- Até agora, não havia uma maneira de comparar diretamente o poder computacional de diferentes sistemas quânticos usando uma mesma escala;

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Novo teste coloca computadores quânticos lado a lado e revela quanto falta para máquinas úteis no mundo real · Imagem: Source: olhardigital.com.br

- Os métodos tradicionais costumam avaliar características individuais, como a quantidade de qubits — equivalentes quânticos dos bits usados em computadores convencionais — e as taxas de erro de operações específicas;

- O QUOPS adota uma abordagem diferente. O teste executa padrões aleatórios de operações entre qubits que funcionam como representações de circuitos semelhantes aos utilizados em determinados cálculos científicos;

- Dessa maneira, o benchmark procura medir o tamanho dos maiores circuitos computacionalmente relevantes que uma máquina consegue executar corretamente, além da velocidade com que realiza essas operações;

- A ideia é oferecer uma comparação mais direta entre arquiteturas diferentes.

Quantinuum, Google e IBM apresentam resultados muito diferentes

Os testes mostraram diferenças consideráveis entre os computadores analisados, relacionadas às próprias arquiteturas utilizadas para construí-los.

O Helios-1, processador de íons aprisionados da Quantinuum, foi capaz de lidar com os maiores cálculos entre os sistemas avaliados. A máquina alcançou uma pontuação superior a 1.500 QUOPS.

Uma das vantagens da arquitetura é a disposição flexível dos qubits, que permite que eles se comuniquem com qualquer outro qubit. O problema é que o deslocamento dos íons leva tempo, tornando o sistema relativamente lento.

Os processadores supercondutores da Google e da IBM seguem uma estratégia diferente. Neles, os qubits são organizados em grades rígidas nos chips, o que limita a comunicação entre determinados qubits. Como consequência, os sistemas apresentaram pontuações de aproximadamente 200 QUOPS.

Por outro lado, as máquinas supercondutoras são consideravelmente mais rápidas. O processador Willow, do Google, chegou a executar 20 milhões de operações por segundo.

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Processadores supercondutores da Google e da IBM seguem uma estratégia diferente – Imagem: gorodenkoff/iStock

Velocidade não é suficiente

Os resultados também mostram por que medir apenas a velocidade de um computador quântico pode ser enganoso.

Uma máquina pode executar operações muito rapidamente, mas ainda assim não conseguir realizar um circuito suficientemente grande para solucionar um problema útil. É justamente essa diferença que o QUOPS procura capturar.

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O potencial da computação quântica está associado a problemas extremamente complexos, como a quebra da criptografia RSA-2048, amplamente utilizada na segurança digital, e a modelagem de moléculas complexas para aplicações em química.

Para executar esses cálculos, seriam necessários aproximadamente 250 milhões a 340 milhões de QUOPS. O maior resultado obtido até agora em hardware físico, porém, foi de apenas 1.824 QUOPS.

Na prática, portanto, existe uma diferença de cerca de cinco ordens de magnitude entre a capacidade atual e a necessária para esses desafios.

Computadores quânticos ainda precisam evoluir muito

Fechar esse enorme intervalo exigirá avanços em diferentes aspectos da tecnologia. De acordo com o estudo, será necessário reduzir significativamente as taxas de erro, aumentar o número de qubits físicos ou desenvolver arquiteturas de computadores quânticos mais eficientes.

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Os autores resumem o tamanho do desafio afirmando que a capacidade computacional precisa crescer em cinco ordens de magnitude, o que reforça a importância de abordagens de computação quântica tolerantes a falhas.

A comparação também evidencia que não existe uma arquitetura claramente superior em todos os aspectos avaliados.

O Helios-1 conseguiu executar circuitos maiores, mas é mais lento. Google e IBM, por sua vez, alcançaram velocidades de operação muito maiores, mas tiveram pontuações QUOPS menores. Essas diferenças estão diretamente relacionadas às escolhas feitas no desenvolvimento de cada sistema.

Por que o benchmark é importante

Para os pesquisadores, uma régua comum pode ajudar a acompanhar de maneira mais transparente a evolução da computação quântica.

Em vez de analisar apenas números isolados, como quantidade de qubits ou velocidade de determinadas operações, o QUOPS procura medir a capacidade efetiva das máquinas de executar circuitos de tamanho relevante.

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O objetivo é permitir que cientistas e outros envolvidos no desenvolvimento da tecnologia acompanhem o progresso dos sistemas e verifiquem de maneira independente sua capacidade computacional.

O estudo que apresenta o benchmark, intitulado “Benchmarking the computational power of quantum computers”, foi publicado no servidor de preprints arXiv.

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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Tags: computação quântica Google IBM