A tumba de Tutancâmon voltou ao centro da arqueologia porque novas medições indicam câmaras escondidas ou corredores além das paredes conhecidas. O sinal ainda não prova que existam salas intactas, mas combina radar e microgravidade e já sustenta uma proposta de investigação com pequenas câmeras no local.
O que apareceu nas novas medições da tumba de Tutancâmon?
A investigação encontrou anomalias subterrâneas ao redor da KV62, nome oficial da tumba. Algumas apresentam formas e diferenças de densidade que podem ser compatíveis com corredores ou espaços construídos além das áreas já conhecidas.
Uma das pistas é uma possível passagem com cerca de 2 metros de largura, aparentemente preenchida por material. Isso muda a busca porque pesquisas anteriores procuravam principalmente grandes vazios imediatamente atrás das paredes decoradas da câmara funerária.
Possíveis câmaras escondidas junto à tumba de Tutancâmon - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
Por que radar e microgravidade foram usados juntos?
O radar de penetração no solo envia sinais capazes de revelar mudanças abaixo de uma superfície. Já a microgravidade procura alterações muito pequenas no campo gravitacional, que podem indicar que uma região subterrânea é menos densa do que a rocha ao redor.
A investigação relatada pela Nature reuniu mais de 1.200 medições de microgravidade. Pesquisadores independentes consideraram os resultados interessantes, mas reforçaram que os dados ainda não bastam para transformar as anomalias em câmaras arqueológicas confirmadas.
Quais sinais fizeram os pesquisadores suspeitarem de corredores e salas?
O interesse aumentou porque algumas anomalias apresentam baixa densidade, alinhamentos e ângulos que poderiam corresponder a espaços construídos. Uma região chamada de anomalia 7 contém ainda uma área mais densa dentro de uma zona predominantemente menos densa.
Os principais indícios avaliados agora são estes:
- Possível corredor: uma faixa preenchida por material parece avançar além da câmara funerária.
- Estruturas angulares: algumas anomalias apresentam formas pouco regulares para um vazio natural simples.
- Área de baixa densidade: medições sugerem espaços diferentes da rocha compacta ao redor.
Possíveis câmaras escondidas junto à tumba de Tutancâmon - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
As medições provaram que Nefertiti está atrás das paredes?
Não há essa confirmação. A hipótese de que partes ocultas do complexo possam estar relacionadas a Nefertiti existe há anos, mas os novos resultados mostram anomalias físicas. Eles não revelam quem teria usado um eventual espaço nem o que poderia existir dentro dele.
A própria tumba KV62 é incomumente pequena para um sepultamento real. Essa característica alimenta teorias sobre uma estrutura maior, mas qualquer associação direta com outra rainha continua dependendo de evidência arqueológica física.
Como pequenas câmeras poderiam resolver a dúvida?
O próximo passo proposto é atingir uma das anomalias mais promissoras por pequenas perfurações feitas a partir da superfície. Equipamentos controlados remotamente e dotados de câmeras de 360 graus poderiam então examinar um eventual espaço sem abrir grandes passagens nas paredes da tumba.
Esse trabalho depende de autorização das autoridades egípcias. Até que uma abertura seja alcançada e observada diretamente, o resultado permanece como evidência geofísica compatível com estruturas ocultas, e não como descoberta confirmada de uma nova câmara funerária.
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