Vinicius Passarelli

Empresa apontada pelo MPSP como ligada a Milton Leite sofreu intervenção da gestão Nunes em 2024 após ser alvo de operação por elo com PCC

Vinicius Passarelli
17/09/2026 10:05, atualizado 17/09/2026 10:07
William Cardoso/Metrópoles
Questionado sobre a Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17/9) pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra um esquema de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que uma das empresas citadas não opera mais na capital.
“A TransWolf já não está mais operando aqui, fiz a intervenção em 2024”, disse Nunes à coluna. A empresa é citada nos autos como sendo de propriedade do ex-vereador Milton Leite (União Brasil), um dos alvos de prisão da operação.
“Milton Leite é citado nominalmente por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC. Somado a isso há declarações de policiais militares em procedimento junto ao Tribunal de Justiça Militar, que o mesmo seria o dono de fato da empresa Transwolf”, afirma o MPSP.
A Transwolff foi alvo da Operação Fim de Linha, deflagrada MPSP em abril de 2024. Segundo a investigação, a Transwolff, que operava 133 linhas de ônibus na zona sul da capital, ajudou a lavar R$ 54 milhões de atividades ilícitas do PCC. O dinheiro do crime teria auxiliado a empresa a habilitar-se como vencedora da concessão de transporte público.
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Além da Transwolff, a empresa UpBus também foi alvo da mesma operação. Em dezembro de 2024, Ricardo Nunes publicou no Diário Oficial o decreto para dar fim ao contrato da Transwolff com o município de São Paulo.
Outro alvo dos mandados de prisão temporária é Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, órgão responsável pelo transporte municipal da capital paulista.
“Pelo que foi detectado, muito embora não seja interlocutor de Daniel, os mesmos tiveram encontros periódicos com a única finalidade de tratar de interesses da facção relacionados a empresas de transportes, especialmente com a deflagração da Operação Fim da Linha, pelo MPSP”, diz a promotoria.
Daniel é José Daniel Satilite, apontado na investigação como laranja na aquisição de uma refinaria e em operações do setor de transporte público. Ele também foi alvo do pedido de prisão temporária.
Questionado sobre o envolvimento de Levi dos Santos Oliveira, que também foi ex-secretário de Mobilidade e Trânsito da gestão Ricardo Nunes, o prefeito afirmou que ainda precisa ter acesso à denúncia para se pronunciar.
O que dizem Milton Leite e a Prefeitura de São Paulo
Segundo Milton Leite, as alegações apresentadas pela polícia sobre encontros com Oliveira, ex-SP Trans, tinham relação com o período em que ele, então presidente da Câmara de Vereadores, assumiu interinamente a cadeira de prefeito da capital. Ele nega qualquer envolvimento com o PCC.
“Eu me reunia porque era vice-prefeito e eu tive essa designação pelo Bruno Covas, em resolver a questão dos transportes”, declarou.
O ex-vereador reforçou que irá se apresentar nas próximas 24 horas: “Eu vou me apresentar, eu pedi 24 horas para poder me apresentar. Não estou me escondendo não”, afirmou.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirma que a intervenção determinada na empresa Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida para proteger o sistema municipal de transporte.
Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou a intervenção na UPBus, “mesmo sem qualquer solicitação da Justiça”. A administração municipal diz que sempre agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada.
O Metrópoles aguarda um posicionamento do União Brasil. Além disso, busca a defesa dos demais alvos da operação. O espaço está aberto para manifestação.

