Provavelmente você já ouviu essa frase em algum lugar: “Quem tem a informação, tem o poder!”. Ela aparece em diferentes contextos, seja na internet, nas redes sociais, nos meios de comunicação ou até mesmo nas conversas do nosso dia a dia.E, de certa forma, a afirmação faz sentido. Ter acesso à informação significa ter possibilidades que outras pessoas podem não ter. Quem recebe uma informação antes pode, por exemplo, tomar uma decisão mais rapidamente, avaliar diferentes cenários e, em determinadas situações, agir de maneira mais assertiva.No mundo dos negócios, essa lógica é ainda mais evidente. Uma empresa que possui informações relevantes sobre o mercado, sobre o comportamento dos consumidores ou sobre uma nova tendência tecnológica pode se antecipar aos concorrentes. Com isso, pode desenvolver novos produtos, ajustar seus serviços, conquistar novos clientes e até identificar oportunidades antes que elas se tornem evidentes para os demais.No mercado financeiro, o acesso a informações também pode influenciar decisões. Conhecer dados, acompanhar indicadores econômicos e compreender movimentos do mercado pode ajudar na tomada de decisões mais conscientes. Da mesma forma, no ambiente profissional, informações adequadas podem contribuir para um planejamento mais eficiente, uma gestão mais assertiva e melhores resultados.Em áreas como Engenharia, Arquitetura e Tecnologia, por exemplo, ter as informações corretas pode fazer diferença na elaboração de um projeto, na escolha de uma determinada solução ou na definição de uma arquitetura mais adequada para uma obra ou sistema.Vivemos em uma época em que não temos apenas acesso à informação: somos constantemente expostos a ela. Notícias, mensagens, vídeos, notificações, anúncios, opiniões, comentários e conteúdos produzidos pelas redes sociais disputam nossa atenção praticamente o tempo todo.E será que ter acesso a tanta informação significa, necessariamente, estar mais bem informado?Essa é uma questão importante.O excesso de informações pode dificultar nossa capacidade de selecionar aquilo que realmente importa. Em vez de ampliar nosso conhecimento, uma quantidade exagerada de conteúdos pode gerar distração, ansiedade, dificuldade de concentração e até comprometer nossa capacidade de analisar criticamente aquilo que recebemos.Um exemplo bastante comum está no uso do celular. Quantas vezes pegamos o aparelho com um objetivo específico — responder a uma mensagem, consultar uma informação ou realizar uma tarefa rápida — e, poucos minutos depois, estamos navegando pelas redes sociais, assistindo a vídeos ou acompanhando conteúdos que sequer estavam relacionados ao motivo inicial?Quando percebemos, passaram-se minutos ou até horas.O problema, portanto, talvez não esteja apenas na quantidade de informação que temos à nossa disposição, mas na nossa capacidade de filtrar, interpretar e utilizar aquilo que recebemos.Nesse cenário, informação e tecnologia caminham lado a lado. As ferramentas digitais ampliaram de maneira extraordinária nossa capacidade de acessar conhecimento, mas também criaram novos desafios relacionados à atenção, à concentração e ao pensamento crítico.Afinal, se no passado o desafio era encontrar informação, hoje talvez o grande desafio seja saber qual informação merece a nossa atenção.É justamente esse o foco desta matéria: discutir a relação entre o poder que a informação pode proporcionar e os possíveis impactos do excesso de informações em nossa vida pessoal e profissional.Para aprofundar essa discussão, trouxemos dois entrevistados para esta pauta, com diferentes perspectivas sobre o papel da informação na sociedade, seus benefícios e os desafios que surgem quando somos expostos a um volume cada vez maior de conteúdos.Entrevistamos Teresa Gayoso [https://www.linkedin.com/in/teresagayoso/], que é psicóloga pela UFSCar, especialista em Desenvolvimento Humano e Organizacional e Saúde Mental, com certificações em coaching, desenvolvimento e MBA pela FGV. É fundadora da The Minders, consultoria dedicada à saúde integral, felicidade corporativa e transformação da cultura das organizações. Com mais de 25 anos de experiência em empresas nacionais e multinacionais, atua conectando pessoas, saúde e resultados sustentáveis. É palestrante, mentora e autora, com foco nos desafios do futuro do trabalho.Para a psicóloga, “a tecnologia democratizou o acesso à informação, mas trouxe um desafio que precisamos começar a discutir com mais seriedade: o impacto do excesso sobre nossa atenção e nosso organismo. Esse foi um dos pontos abordados pelo psicofisiologista Erik Peper, PhD, professor da San Francisco State University, no Curso de Gerenciamento do Stress da ISMA-BR, no qual participei em 2026. Em sua abordagem sobre TechStress, Peper mostra como o uso contínuo da tecnologia pode afetar atenção, postura, respiração, estado emocional e processos de autorregulação”.No trabalho, isso ganha uma dimensão ainda maior. “A hiperconectividade trouxe velocidade, acesso e flexibilidade, mas também criou a sensação de que precisamos estar permanentemente disponíveis e atualizados.” Um estudo realizado por pesquisadores da University of Nottingham, publicado em 2024, com 142 trabalhadores, encontrou associação entre sobrecarga de informação, estresse digital, exaustão e impactos no bem-estar.De acordo com a entrevistada, isso nos leva “diretamente ao futuro do trabalho”. O Future of Jobs Report 2025, do World Economic Forum, estima que 39% das competências atuais dos trabalhadores serão transformadas ou ficarão desatualizadas até 2030. Ao lado das competências tecnológicas, aparecem pensamento analítico, criatividade, resiliência, flexibilidade e aprendizagem contínua. Ou seja: quanto mais tecnologia tivermos, mais importantes serão algumas capacidades profundamente humanas: filtrar, interpretar, questionar, decidir e estabelecer limites.A especialista Teresa Gayoso reforça: “Não sou contra a tecnologia e ao acesso das informações, que são fundamentais hoje em dia, mas falo como podemos conviver bem com ambas”. Informação pode ampliar nossa autonomia, mas informação sem filtro pode sequestrar nossa atenção. E atenção é um recurso fundamental para a saúde mental, para as relações e para o trabalho de qualidade. Talvez uma das grandes competências do futuro seja justamente aprender a fazer uma coisa que a tecnologia ainda não pode fazer por nós: “decidir conscientemente o que merece a nossa atenção e o que podemos deixar passar”.Também entrevistamos Artur Marques Jr. [https://www.linkedin.com/in/arturmarquesjr/], que é Cientista de Dados e Especialista em IA aplicada a Negócios, Professor e Coordenador Nacional de Pós-graduação Digital na Cruzeiro do Sul Educacional. Doutor em Ensino de Ciências e Matemática, Mestre em Física Computacional e Administrador de Empresas. É fundador da consultoria Expandente e cofundador do Grape Valley - Ecosistema de Inovação e Startups de Jundiaí e região. É líder na estruturação de currículos inovadores focados em Inteligência Artificial, sistemas multiagentes e Liderança Orientada por Dados. Foi vice-presidente da DAMA Brasil e atua como vice-presidente fiscal pro bono do Hospital Grendacc, que trata do câncer infantil.Artur inicia nos falando: “Passei os últimos anos observando de perto o que acontece quando uma pessoa comum ganha acesso a uma informação que antes só um especialista possuía. Um aluno de EAD que descobre, sozinho, como funciona um contrato antes de assiná-lo. Um pai que entende o diagnóstico do filho porque leu, comparou fontes e chegou à consulta com as perguntas certas. Essa é a face da informação que raramente aparece nas discussões sobre excesso e sobrecarga: ela também devolve poder a quem historicamente ficava de fora das decisões que afetavam a própria vida”.Ainda, para ele: “No ambiente de trabalho, vejo esse poder se manifestar de outra forma. Profissionais que antes dependiam de um superior para saber se uma decisão fazia sentido hoje acessam dados, relatórios e benchmarks em minutos. Isso não elimina a hierarquia, mas muda sua natureza: quem tem informação de qualidade consegue argumentar, questionar e propor com uma autonomia que simplesmente não existia duas décadas atrás. A mesma velocidade que gera estresse é a que permite corrigir um erro antes que ele vire crise”.O cientista de dados reforça: “Essa autonomia também aparece quando penso no futuro do trabalho. As competências que se tornam obsoletas não desaparecem sozinhas: são substituídas porque as pessoas, com acesso à informação certa, aprendem a se reinventar antes de serem obrigadas a isso. Já vi alunos trocarem de área, aprenderem uma ferramenta nova ou entenderem uma tendência de mercado meses antes de qualquer curso formal chegar até eles, simplesmente porque foram atrás. A informação, usada com intenção, é hoje o atalho mais democrático que existe para quem quer se manter relevante”.O especialista finaliza nos dizendo: “Por isso, prefiro pensar a informação como instrumento de liberdade antes de pensá-la como ameaça. Ela nivela disputas que antes eram desiguais, coloca conhecimento especializado ao alcance de quem nunca teve voz e transforma curiosidade em ação concreta. O desafio não invalida esse poder, apenas nos lembra que toda ferramenta poderosa exige responsabilidade de quem a usa”.Prof. Dr. Juliano SchimiguelTem doutorado e mestrado em Ciência da Computação pelo Instituto de Computação da Unicamp. É coordenador do mestrado profissional em Ensino de Ciências e Matemática pela Universidade Cruzeiro do Sul (São Paulo, SP). Pesquisador permanente nos PPG ECM e EC. É docente na Unianchieta (Jundiaí/SP) e editor-chefe da Revista Ubiquidade.👉 Você pode me seguir no Instagram e no LinkedIn!✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

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Imagem da matéria: Na era da informação, o desafio é saber o que merece atenção · Imagem: Teresa Gayoso Arquivo Pessoal de Teresa Gayoso
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Imagem da matéria: Na era da informação, o desafio é saber o que merece atenção · Imagem: Artur Marques Jr. Arquivo Pessoal de Artur Marques Jr.
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