Presidente foi recebido com coro de apoiadores, enquanto aliados reconheceram frustração com resultado e começaram a discutir estratégias

5 out 2026 - 04h57

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- Por: Isabella Lima

Clima na equipe de Lula é de surpresa e tristeza, mas campanha aposta em virada no segundo turno:

A liderança de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno provocou surpresa e frustração na equipe de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que acompanhou atentamente a apuração pela televisão antes de transformar a decepção em discurso de mobilização para o segundo turno. No hotel em São Paulo onde o presidente e seus aliados acompanharam a votação, integrantes da campanha ficaram concentrados diante dos números e, conforme a vantagem de Flávio se consolidava, passaram a cochichar entre si e demonstrar preocupação com o resultado.

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A ansiedade que marcou os primeiros momentos da apuração deu lugar à tristeza. Apesar disso, a campanha passou a sustentar que a diferença de pouco menos de dois pontos percentuais mantém a disputa aberta e que ainda há espaço para buscar votos entre eleitores de outros candidatos, ampliar alianças e mobilizar quem não compareceu às urnas.

O cenário, porém, também traz um desafio histórico para Lula. Desde a redemocratização, nenhum candidato que terminou o primeiro turno na segunda colocação conseguiu ultrapassar o vencedor na etapa seguinte nas eleições presidenciais brasileiras em que houve segundo turno. A perspectiva ajuda a explicar parte da apreensão entre aliados do petista diante da vantagem de Flávio.

Na chegada de Lula ao auditório, no entanto, o clima mudou. O presidente foi recebido com aplausos e um coro em tom alto de “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”. Diante dos apoiadores, adotou uma postura otimista e procurou demonstrar confiança na disputa que começa agora.

A tensão durante a apuração

Lula tentou motivar os aliados após resultado da apuração

Foto: WILDALLY SOUZA/ATO PRESS / Estadão

Antes de Lula chegar ao auditório, o ambiente no hotel já dava sinais de como a campanha estava recebendo o resultado das urnas. Parte da equipe acompanhava atentamente a televisão que transmitia a apuração. Por volta das 18h40, quando Flávio ainda aparecia à frente com mais de 50% dos votos naquele momento da contagem, integrantes permaneciam com os olhos fixados na tela.

À medida que os números avançavam e a liderança do candidato do PL se consolidava, o comportamento da equipe mudou. O Terra observou integrantes mais apreensivos, com semblantes mais fechados e cochichando entre si enquanto acompanhavam cada atualização da apuração.

A reação contrariava, em parte, a expectativa construída durante a reta final da campanha. Mais de um integrante dizia que Lula estava “tranquilo” com o cenário, mas a movimentação dos aliados mostrava que o resultado estava longe de ser indiferente para a campanha.

Em meio ao clima de apreensão, Ângelo Ferraro, advogado coordenador-geral da equipe jurídica da campanha de reeleição do presidente, resumiu aos jornalistas o sentimento entre os aliados: “Estamos um pouco tristes.”

Outra integrante da equipe, porém, procurou demonstrar disposição para a segunda etapa: “Nunca foi fácil, mas vamos lá que ainda tem segundo turno.”

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Apesar da tentativa de mobilização, o resultado também teve impacto entre aliados. Lula abraçou Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (Rede), que não conseguiram avançar na disputa pelo Senado, em um momento que expôs o abatimento entre integrantes do grupo. O resultado para o Senado também foi desfavorável à articulação petista, com o PL formando uma ampla bancada e candidatos apoiados por Flávio Bolsonaro entre os eleitos.
O próprio Lula reconheceu, durante o discurso, seu desapontamento com o resultado do primeiro turno e com a derrota de Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo de São Paulo. Ao mesmo tempo, fez críticas duras ao governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos), que venceu no Estado, e procurou desafiar Flávio para a nova etapa da eleição.
“Sou bom no mata-mata”, afirmou Lula, tentando motivar a base de aliados. Uma fala de quem sabe que a situação está difícil e vai precisar de muita energia para reverter uma eleição que parece estar escapando das mãos, a poucos dias de completar 81 anos.
Debates entram no centro da estratégia
Uma das principais apostas da equipe para o segundo turno são os debates entre Lula e Flávio Bolsonaro. Segundo o integrante ouvido pelo Terra, a campanha pretende investir no confronto direto entre os dois candidatos para apresentar as diferenças entre os projetos.
A participação de Lula em todos os debates ainda será discutida. A equipe, porém, defende que os encontros tenham regras que “respeitem o candidato”, em referência ao episódio do último debate da Globo.
A estratégia não deve se limitar aos confrontos na televisão. A campanha também pretende ampliar a busca por alianças e iniciar, a partir desta segunda-feira, conversas com lideranças dispostas a apoiar Lula na segunda etapa.
A aposta na “onda vermelha”
Outro ponto citado internamente é a chamada “onda vermelha”, expressão usada pela equipe para se referir à mobilização pró-Lula observada durante a campanha. Para o grupo, esse movimento poderia ter se convertido em uma votação ainda maior para o presidente e deverá ser novamente explorado na segunda etapa, com o objetivo de ampliar a mobilização dos eleitores.
As abstenções também aparecem entre os fatores que a campanha pretende enfrentar. A equipe avalia que parte dos eleitores que não compareceram às urnas pode ser alcançada no segundo turno e se tornar importante para a disputa.
Fonte: Portal Terra
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