Política / Eleições 2026

Ex-senadora se filiou ao PT este ano depois de passagens por DEM, PP e MDB
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Kátia Abreu (PP-TO), ex-senadora e aliada de Lula — Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
A ex-senadora e ex-ministra Kátia Abreu fez a fala mais aplaudida na reunião da cúpula do PT nesta terça-feira convocada para discutir o resultado do primeiro turno. Novata no partido, a coordenadora da campanha de Lula no Tocantins criticou duramente a coordenação nacional da campanha, a comunicação e a atuação da primeira-dama Janja da Silva.
De acordo com relatos dos presentes, Kátia Abreu disse que o comando na campanha é formado por “paulistas sem voto”. O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, foi derrotado no primeiro turno da disputa contra Tarcísio de Freitas (Republicanos) e as duas candidatas ao Senado da chapa, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), também foram eleitas. O coordenador-geral da campanha presidencial petista, Edinho Silva, se elegeu deputado federal por São Paulo.
Ao apontar os motivos que levaram Flávio Bolsonaro (PL) a ficar na frente no primeiro turno, Katia Abreu afirmou que a comunicação da campanha presidencial seguiu um caminho equivocado.
Katia Abreu se filiou ao PT este ano depois de passagens, entre outros, por DEM, PP e MDB. Como deputada, liderou a bancada ruralista. Também presidiu a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Foi ministra da Agricultura no governo Dilma Rousseff e desenvolveu uma relação de proximidade com a então presidente.
Na reunião desta terça-feira, antes de falar de Janja, a ex-ministra fez a ressalva de que só entraria no tema por ser mulher. Disse considerar um erro a primeira-dama cantar música gospel nos comícios do marido, como aconteceu durante o primeiro turno.
Kátia Abreu ainda defendeu que o vice Geraldo Alckmin deveria ter uma participação maior na campanha. Ao fim, foi fortemente aplaudida pelos cerca de cem presentes no auditório da sede do partido em Brasília ao pedir:
— Menos Janja, mais Alckmin.
Estavam na reunião, além dos membros da executiva do PT, deputados e os coordenadores estaduais da campanha de Lula.
As críticas a Janja, à comunicação e ao presidente do PT e coordenador-geral da campanha presidencial, Edinho Silva, dominaram as falas.
Outros dirigentes classificaram o gesto de Janja cantar nos comícios a música gospel “Tapete Vermelho” como uma apropriação da fé, já que a primeira-dama não é evangélica. Esses dirigentes afirmam que, por esse motivo, a participação de Janja desagrada em vez de atrair esse público.
Com relação à comunicação, houve uma queixa geral de que o caminho deveria ser falar de futuro e não do legado de Lula, já que os eleitores não votariam pensando no passado.
Edinho foi criticado por causa da escolha das agendas nos estados. Houve uma avaliação de que Lula deveria visitar mais locais onde o bolsonarismo é forte, como a região Centro-Oeste e o Sul de Minas.
A reunião chegou a ser interrompida quando o presidente do PT deixou o auditório por alguns minutos. Os participantes deveriam continuar as suas falas, mas resolveram interromper para esperar a volta de Edinho porque argumentam que ele precisava ouvir o que os membros do partido têm a dizer.
Ao comentar o encontro, o presidente do PT e coordenador da campanha disse que a reunião serviu para alinhar a estratégia para a etapa final da disputa.
— Nós debatemos a linha política desse segundo turno, que, essencialmente, é nós confrontarmos os dois projetos que estão em disputa.
Segundo Edinho, a comunicação terá mudanças para destacar a diferença entre os dois candidatos.
— No primeiro turno esse tipo de confronto você não consegue fazer porque são vários candidatos. No segundo turno não, são dois candidatos, portanto são dois projetos distintos de país, e esse confronto tem que acontecer para o povo brasileiro poder fazer uma escolha.
Edinho disse também que é favorável que Alckmin esteja mais perto da campanha no segundo turno e faça parte da coordenação porque ele "ajuda a ampliar diálogos com setores da sociedade".
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