Na Mira

Segundo depoimento da síndica do condomínio onde o casal morava, João Munhoz Neto pediu que funcionário procurasse o aparelho

Larice de Paula

28/09/2026 10:33

Imagem cedida ao Metrópoles

Em depoimento à Polícia Civil do Ceará (PCCE), a síndica do condomínio de luxo de Fortaleza (CE) onde a estudante de direito Isabelle Caracristi foi morta declarou que, um dia após a morte da jovem de 22 anos, o então namorado dela, João Munhoz Neto, de 34 anos, esteve no residencial.

Segundo o depoimento, João conversou com um funcionário e pediu que ele procurasse o celular de Isabelle. O aparelho, porém, não foi encontrado naquele momento.

Na quarta-feira (23/9), a advogada da família de Isabelle informou que o celular da jovem estava junto ao corpo da estudante e foi entregue ao tio dela, que esteve no condomínio acompanhado da mãe da vítima, Isorlanda Caracristi.

Isabelle morreu no domingo (13/9). O caso ganhou repercussão após Isorlanda publicar, no sábado (19/9), um vídeo nas redes sociais em que pedia explicações e justiça pela morte da filha. João Munhoz foi preso na terça-feira (22/9), em um prédio de familiares.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Segundo a PCCE, ele é investigado e poderá responder por três crimes: indução ao suicídio, obstrução de provas e abuso psicológico.
Celular de Isabelle tinha áudios enviados à família
Segundo a advogada Patrícia Viana, no aparelho entregue ao tio continha áudios enviados por Isabelle a familiares momentos antes da morte.
De acordo com informações divulgadas pelo Diário do Nordeste, cerca de uma hora antes de ser encontrada morta, Isabelle teria feito novas revelações ao primo. Em uma mensagem enviada por volta das 19h40 do dia 13 de setembro, ela teria pedido: “Não apague este áudio, me responde”.
Ainda segundo o jornal, às 20h40 teria sido registrado o impacto da queda da vítima. Nas conversas pelo WhatsApp, Isabelle teria afirmado que, “qualquer coisa que venha a acontecer com ela, este áudio é uma prova”. Em seguida, teria dito: “João Munhoz é um doente, não acredite nele”.
Entenda o caso
Isorlanda contou que soube da morte da filha depois de tentar falar com ela na noite de domingo, mas não obter resposta. Na manhã seguinte, tentou novamente entrar em contato, sem sucesso. Ela também procurou João Munhoz, que, segundo o relato da mãe, teria desligado o telefone e bloqueado Isorlanda no WhatsApp e nas redes sociais.
Diante da preocupação, Isorlanda foi até o condomínio acompanhada do irmão, tio de Isabelle. No local, os dois foram recebidos pela síndica, que teria informado: “Sua filha morreu ontem à noite, o corpo já está no IML”.
Desde sábado (19/9), a Polícia Civil do Ceará realiza diligências para esclarecer o caso. João Munhoz foi preso na terça-feira (22/9), e a prisão foi convertida em preventiva pelo Tribunal de Justiça do Ceará na quarta-feira (23/9), mesmo dia em que a PCCE realizou uma coletiva de imprensa para apresentar detalhes da investigação.
Investigação
Em coletiva de imprensa realizada na quarta-feira (23/9), o perito-geral da Perícia Forense do Ceará (Pefoce), Júlio Torres, informou que não havia câmeras de segurança no rooftop de onde Isabelle caiu.
Apesar da ausência de imagens no local, a Polícia Civil do Ceará afirmou que a queda da estudante foi voluntária. Segundo Torres, imagens de outros pontos do prédio e de áreas próximas corroboram a conclusão apresentada pela investigação.
De acordo com informações que constam nos autos, após prestar depoimento, João Munhoz teria retornado ao condomínio no dia seguinte à morte de Isabelle para procurar o celular dela. A investigação também aponta que ele teria pedido à família da jovem que não entrasse no condomínio.
Ainda segundo os autos, João Munhoz teria pedido que o apartamento onde morava com a mãe, Sara Regina, fosse limpo e colocado à venda.
6 imagens
1 de 6
Isabelle Caracristi
Reprodução/Redes sociais
2 de 6
João Munhoz Neto, namorado da estudante de direito
Reprodução/Redes Sociais
3 de 6
A jovem tinha 22 anos
Reprodução / Redes sociais
4 de 6
A estudante de direito foi encontrada morta na noite de 13 de setembro
Reprodução / Redes sociais
5 de 6
Ela cursava o segundo semestre da faculdade de direito
Reprodução / Redes sociais
6 de 6
Isabelle morava com o namorado e a mãe dele
Reprodução / Redes sociais
Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF
Frequência de envio: Diário
Ver todas
Ver todas as newsletters
Relação abusiva
De acordo com o delegado-chefe da PCCE, Márcio Gutiérrez, depoimentos colhidos durante a investigação apontam para um relacionamento abusivo e episódios de violência psicológica. Segundo ele, essas informações também foram consideradas no momento da prisão.
“As informações prestadas por testemunhas e obtidas também através da investigação da Polícia Civil apontam que o João mantinha uma relação de controle, de limitação de ir e vir. Temos depoimentos que afirmam que a Isabelle não podia sequer ir sozinha à farmácia, descer do escritório”, ressaltou Gutiérrez.
Principais pontos destacados na coletiva:
- Segundo a polícia, até o momento, 25 pessoas foram ouvidas;
- A partir da análise de câmeras, de oitivas de testemunhas e de diligências de inteligência, a PCCE identificou uma postura não colaborativa do namorado da vítima em relação às investigações;
- As oitivas realizadas até o momento apontam que, durante o relacionamento da vítima com o suspeito, havia, segundo os depoimentos, um controle excessivo por parte dele;
- A investigação segue com o objetivo de esclarecer todas as circunstâncias da morte, bem como estabelecer a cronologia das ações que antecederam o fato;
- Novos depoimentos estão previstos para os próximos dias;
- Celulares, dispositivos eletrônicos e imagens de câmeras continuam sendo analisados;
- Outras diligências também estão em andamento.

