A Igreja de Uganda (Church of Uganda, COU) é uma província membro da Comunhão Anglicana. Atualmente, a Igreja de Uganda é composta por 39 dioceses. Seu primaz é o Arcebispo de Uganda e Bispo de Campala. Foi fundada por missionários da Church Missionary Society em 1887, e em 1961 se tornou uma província autônoma da Comunhão Anglicana, como Província da Igreja de Uganda, Ruanda e Burundi. Em 1980, Uganda tornou-se uma província independente.

História Em junho de 1877, os primeiros missionários da Church Missionary Society (CMS), Shergold Smith e C.T. Wilson, chegaram ao atual Uganda. Eles e os missionários que vieram em seguida estabeleceram-se na corte do Cabaca de Buganda. Em 1885, sob o Cabaca Muanga II, três jovens cristãos anglicanos ugandenses foram mortos e logo depois, ele ordenou o assassinato do bispo James Hannington. O católico Balikuddembe foi morto por protestar contra essa ação. Os anglicanos e católicos assassinados naqueles anos formam os Mártires de Uganda. Com a intervenção da Companhia Imperial Britânica da África Oriental, a facção anglicana se tornou a força dominante em Uganda no período que antecedeu a declaração de Uganda como um protetorado britânico em 1894. Assumindo a Diocese da África Equatorial Oriental, o bispo Alfred Tucker chegou a Uganda em 1890, até que se tornou o primeiro bispo da diocese desmembrada de Uganda. Em 1893, os primeiros ugandeses foram ordenados diáconos. Buganda tornou-se um centro de evangelização na região dos Grandes Lagos. A evangelização esteve aliada à crescente influência política, além da competição com os católicos por convertidos. Paralelamente, havia a tarefa contínua de traduzir a Bíblia, primeiro para o luganda e depois para outros idiomas do país. Na década de 1890, as missões desenvolveram as primeiras escolas de ensino fundamental, além da fundação do Hospital Mengo. Na primeira década do século XX, além do crescimento numérico da igreja em Uganda, houve oposição dos missionários à proposta de conceder mais autonomia aos crentes nativos, levando ao estabelecimento de uma hierarquia eclesiástica dominada por missionários expatriados, o que perdurou até a independência do país. Nesta década, também aconteceu a fundação da União das Mães. Após 1910, a Igreja de Uganda expandiu-se ainda mais para o noroeste e sudoeste do país. A Missão Interior da África (AIM) aceitou atuar no norte em parceria com a Igreja Anglicana. O Colégio Teológico Bispo Tucker foi fundado em 1920 em Mukono como seminário. A influência da CMS levou ao surgimento de uma tradição particular de igreja baixa em Uganda, enquanto o renovo da espiritualidade teve lugar na década de 1930 com a chegada da tradição do Avivamento vinda de Ruanda, no movimento de Avivamento dos Balokole. Na década de 1940, um cisma foi evitado e a espiritualidade Balokole tornou-se uma característica importante da Igreja de Uganda. A partir dos anos 1950, líderes ugandenses começaram a substituir a hierarquia missionária. Em 1961, a Comunhão Anglicana estabeleceu a Província de Uganda, Ruanda e Burundi, tendo Leslie Brown como o primeiro arcebispo, com sede em Namirembe, Campala. Brown foi sucedido em 1966 pelo primeiro arcebispo ugandense, Erica Sabiti. O conflito entre católicos e protestantes foi amenizado a partir de 1963, com a criação do Conselho Cristão Conjunto de Uganda, incluindo as duas igrejas mais a Igreja Ortodoxa em Uganda. Contudo, as tensões permanecem, agora com as igrejas pentecostais mais recentes. Apesar do entusiasmo inicial com o golpe de Idi Amin em 1971, a relação se estremeceu devido à natureza do novo regime. Após a eleição do novo arcebispo, Janani Luwum, em 1974, a Igreja Anglicana manifestou-se com mais veemência contra as políticas de Amin, resultando no brutal assassinato do arcebispo por ordem de Amin. Mesmo após a queda de Amin, o país não teve paz imediata, especialmente com o domínio do Exército de Resistência do Senhor no norte de Uganda. A Igreja de Uganda também desempenhou seu papel quanto à epidemia de AIDS no país, com o cônego Gideon Byamugisha sendo o primeiro sacerdote anglicano em Uganda a falar abertamente sobre seu diagnóstico de HIV e tornando-se um organizador nacional e porta-voz internacional.

Membros

De acordo com o censo de 2014, 32% dos ugandeses, ou 10.941.268 pessoas, se consideravam afiliados à igreja, uma queda em relação aos 36,7% do censo de 2002. De acordo com o censo de 2024, 29% dos ugandeses, ou 13.311.801 pessoas, se identificavam com a Igreja de Uganda. Em 2021, o Banco de Dados Cristão Mundial, produzido pelo Centro de Estudos do Cristianismo Global do Seminário Teológico Gordon-Conwell, estimou que havia 16.297.000 membros da Igreja de Uganda. De acordo com um estudo revisado por pares publicado no Journal of Anglican Studies em 2016 pela Cambridge University Press, a Igreja de Uganda tem mais de 8 milhões de membros e aproximadamente 795.000 membros batizados ativos. Em 2020, um estudo revisado por pares descobriu que a Igreja de Uganda pode ser a maior província da Comunhão Anglicana, medida pelo número de pessoas que se identificam ativamente como anglicanas (mas não pelo número de membros batizados), ou seja, 10,9 milhões de anglicanos.

Relações ecumênicas Como muitas outras igrejas anglicanas, a Igreja do Uganda é membro do Conselho Mundial de Igrejas, desde 1961. Em outubro de 2009, enquanto parte do Sul Global, a liderança da igreja ugandesa reagiu à proposta do Vaticano de criação de ordinariatos pessoais para anglicanos descontentes, afirmando que, embora acolhesse o diálogo ecumênico e partilhasse a teologia moral com a Igreja Católica, as estruturas atuais da GAFCON já satisfaziam as necessidades espirituais e pastorais dos anglicanos conservadores na África.

Ordenação de mulheres A Igreja de Uganda ordena mulheres ao diaconato desde 1973 e ao sacerdócio desde 1983. A primeira mulher a servir como reitora da catedral foi nomeada e empossada em 2019. Em 2014, o arcebispo Stanley Ntagali saudou a votação do Sínodo Geral da Igreja da Inglaterra, que permitiu a nomeação de mulheres bispas, lembrando que qualquer pessoa ordenada na Igreja de Uganda está apta para o episcopado. Em 2022, o Arcebispo Kaziimba anunciou seu apoio à ordenação de mulheres ao episcopado e confirmou que uma mulher pode ser ordenada bispa na Igreja de Uganda.

Realinhamento anglicano A Igreja de Uganda tem participado ativamente do realinhamento anglicano, tanto na Fraternidade das Igrejas Anglicanas do Sul Global (GSFA) quanto na Fraternidade Global de Anglicanos Confessantes (GAFCON). Ela é uma das igrejas africanas que romperam a comunhão com a Igreja Episcopal dos Estados Unidos devido à aceitação da homossexualidade não celibatária e concordou em fornecer supervisão pastoral e apoio às novas igrejas anglicanas na América do Norte no realinhamento anglicano em curso. No entanto, a partir de 2021, a Diocese Episcopal do Oeste do Texas compartilha parcerias ministeriais com as dioceses ugandenses de Kampala, Bunyoro-Kitara e Nebbi. Em 2005, o Arcebispo Henry Orombi, então Primaz, também criticou a aceitação, pela Igreja da Inglaterra, de uniões civis entre pessoas do mesmo sexo por membros do clero. Em 2 de setembro de 2007, a igreja ugandense consagrou um bispo americano, John Guernsey, da Virgínia, para supervisionar muitas das paróquias americanas que apoia. A Igreja de Uganda declarou-se em plena comunhão com a Igreja Anglicana na América do Norte, uma denominação formada por anglicanos americanos e canadenses que se opunham às ações de suas igrejas nacionais em relação à homossexualidade, em 23 de junho de 2009. Em 2013, o Arcebispo Stanley Ntagali desaprovou a decisão da Igreja da Inglaterra de permitir que clérigos em uniões civis se tornassem bispos. Ele disse: “É muito desanimador ouvir que a Igreja da Inglaterra, que outrora trouxe o Evangelho de Jesus Cristo para Uganda, deu um passo tão significativo para longe desse mesmo evangelho que nos trouxe vida, luz e esperança.” Ntagali também reiterou sua oposição a decisões semelhantes tomadas por outras províncias anglicanas ocidentais: “Infelizmente, também devemos declarar que, se a Igreja da Inglaterra continuar nessa direção contrária, devemos nos separar ainda mais dela e estamos preparados para tomar as mesmas medidas que as motivadas pelas decisões da Igreja Episcopal (EUA) e da Igreja Anglicana do Canadá há dez anos.” A Igreja de Uganda esteve representada na GAFCON III, realizada em Jerusalém, de 17 a 22 de junho de 2018, por uma grande delegação de 272 membros, incluindo o Arcebispo Ntagali. Em 2023, os Bispos Kaziimba e Ntagali apoiaram a introdução da Lei Anti-Homossexualidade de Uganda, embora não tenham expressado apoio ao uso da pena de morte para homossexuais condenados. Também em 2023, antes da quarta conferência GAFCON, os líderes da Igreja de Uganda disseram que pressionariam para que as províncias membros da Comunhão Anglicana na GAFCON e no Sul Global se separassem das estruturas alinhadas a Cantuária. Fiel ao seu sinal inicial, a conferência declarou que o Arcebispo Justin Welby deveria renunciar ao seu papel como líder global. Em 16 de outubro de 2025, após a eleição de Dame Sarah Mullally como arcebispa de Canterbury, a Fraternidade Global de Anglicanos Confessantes — da qual o primaz da Uganda é um dos líderes — rompeu formalmente os laços com a Comunhão Anglicana sediada em Canterbury. O presidente da GAFCON, Laurent Mbanda, da Igreja Anglicana de Ruanda, declarou que a GAFCON pretende ser reconhecida como a "Comunhão Anglicana Global", afirmando que não deixou a comunhão anglicana, mas sim que é a própria comunhão anglicana. Em março de 2026, a GAFCON recusou-se a eleger um primus inter pares "rival" ao Arcebispo de Canterbury e, em vez disso, reorganizou seu Conselho de Primazes existente como o "Conselho Anglicano Global", do qual o Arcebispo Kaziimba é um dos membros.==Referências==

Ligações externas «Site oficial» Church Of Uganda no Facebook Church Of Uganda no X «A History of Christianity in Uganda». Dictionary of African Christian Biography