Um conflito violento encontra-se em curso entre as facções Ocidental e Central dos chimpanzés de Ngogo, no Parque Nacional de Kibale, no Uganda, desde 2015. A maior comunidade de chimpanzés selvagens no mundo dividiu-se em dois e há um clima de guerra entre ambos, já com dezenas de vítimas mortais. Devido à coesão normalmente pacífica que as facções de chimpanzés de Ngogo costumavam ter, este conflito tem sido frequentemente descrito como uma "guerra civil". O conflito foi descrito pelo The New York Times como o mais sangrento entre chimpanzés com registo na história. Este é o segundo grande conflito entre chimpanzés observado na primatologia, depois da Guerra dos Chimpanzés de Gombe na década de 1970 na Tanzânia. As fontes descreveram esta guerra como "sangrenta", com ataques gráficos e mutilações a fazer parte do conflito.

Antecedentes A comunidade de chimpanzés de Ngogo era inicialmente composta por cerca de 200 membros e viveu em relativa coesão durante 20 anos no Parque Nacional de Kibale. Embora existissem vários grupos, geralmente cooperavam e defendiam o seu território juntos de outras comunidades de chimpanzés. A coesão social começou romper-se, no entanto, depois de vários indivíduos da comunidade de Ngogo, que haviam ajudado a "unir" os grupos, morreram por doença. Além disso, um novo macho alfa ascendeu na comunidade, levando a um aumento de tensões. Permanece incerto o que exatamente causou a quebra da coesão que mantinha a paz entre as diferentes facções. Um estudo de 2026 publicado na revista Science sugeriu que o aumento da competição é a causa mais provável do conflito, levando à instabilidade política dentro da comunidade de chimpanzés de Ngogo. Com base em evidências genéticas, estas “guerras civis” entre chimpanzés provavelmente só ocorrem a cada 500 anos, mas a atividade humana, através da desflorestação ou alterações climáticas, por exemplo, pode tornar estes conflitos mais comuns.

Conflito

Em 2015, as tensões entre os chimpanzés de Ngogo causaram violência de baixa intensidade, com o surgimento de duas facções rivais. Estas foram descritas pelos pesquisadores como os chimpanzés de Ngogo Ocidental e Central. Em 2018, a divisão tornou-se completa com a violência a aumentar de intensidade. A facção Ocidental, apesar de ser numericamente inferior, lançou ataques letais coordenados no território dos chimpanzés de Ngogo Central, procurando e matando machos adultos rivais. Os invasores frequentemente emboscavam chimpanzés isolados, sobrepujando os seus alvos com superioridade numérica. A partir de 2021, os invasores Ocidentais também começaram ataques e a matar crias. Os ataques da facção Ocidental foram tão bem-sucedidos que o conflito foi descrito como uma "derrota unilateral", com o número de indivíduos da facção Ocidental a aumentar de 76 para 108, enquanto a população da facção Central sofreu um "declínio gradual". Em 2026, pelo menos 28 chimpanzés, incluindo 19 primatas bebés, foram mortos no conflito.

Cobertura nos média A comunidade de Ngogo foi o tema principal da série documental da Netflix de 2023, Império dos Chimpanzés. Realizada por James Reed e narrada por Mahershala Ali, a série chamou a atenção global para as facções "Ocidental" e "Central" precisamente quando o conflito entre elas se estava a intensificar. Em abril de 2026, importantes órgãos de comunicação internacionais, incluindo a BBC, o The New York Times e o The Guardian, noticiaram um estudo definitivo publicado na revista Science. Estas reportagens destacaram a guerra como a primeira "fissão permanente" rigorosamente documentada e a subsequente guerra civil em chimpanzés selvagens sem intervenção humana. Em vários sites e plataformas de redes sociais como o Facebook, TikTok e Instagram, os utilizadores reagiram às notícias sobre os ataques coordenados com comentários que comparavam o conflito a uma "prequela da vida real" da franquia de filmes Planeta dos Macacos.

Ver também Guerra dos Chimpanzés de Gombe

Referências

Ligações externas Media relacionados com Guerra dos chimpanzés de Ngogo no Wikimedia Commons