Igor Gadelha

Em mais um mês de inquérito sobre Dark Horse, PF evitou pedir diligências a André Mendonça no caso e optou por fazer pedidos a Flávio Dino

Igor Gadelha

11/09/2026 11:02

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFot

A Polícia Federal (PF) evitou pedir diligências sobre o Caso Dark Horse ao ministro do STF André Mendonça, relator original do inquérito, e concentrou as solicitações no gabinete de Flávio Dino, relator no Supremo de uma investigação paralela sobre o filme do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo fontes da Corte e da própria PF ouvidas pela coluna, desde que Mendonça abriu o inquérito específico para apurar os repasses de Daniel Vorcaro ao Dark Horse, em 22 de julho, a corporação não pediu qualquer diligência relevante ao gabinete do ministro. A investigação está em sigilo.

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Os ministros André Mendonça e Flávio Dino
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Os ministros Flávio Dino e André Mendonça
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Ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF)
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Na decisão, Mendonça tornou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) oficialmente investigado no caso, conforme a coluna revelou à época. O senador é investigado pelos supostos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, após negociar o patrocínio de Daniel Vorcaro à cinebiografia do pai.
Passados 50 dias da abertura do inquérito, porém, a PF não pediu diligências investigativas relevantes a Mendonça. Nesse período, contudo, a corporação solicitou diligências sobre o caso a Dino, que relata uma investigação sobre o uso irregular de emendas parlamentares para bancar o filme.
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Na quinta-feira (10/9), por exemplo, Dino atendeu a um pedido da PF e autorizou operação de busca e apreensão contra diversos alvos da investigação. Entre eles, Karina Gama, dona da produtora responsável pelo filme, e o deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor executivo da obra.
Segundo fontes da PF ouvidas pela coluna, a decisão de não apresentar pedidos a Mendonça ocorreu por uma questão de estratégia e desconfiança em relação ao ministro. A corporação preferiu priorizar as solicitações com Dino, considerado mais alinhado ao governo Lula e à atual cúpula da PF.
“Há diligências que independem do relator (Mendonça). Não queremos atrapalhar uma investigação com um relator (Dino) sério, que avançou muito ontem, por exemplo”, explicou um delegado da diretoria da PF.
A ausência de pedidos da PF a Mendonça no Caso Dark Horse fragiliza críticas feitas por setores do governo Lula de que o ministro estaria atuando para proteger Flávio. Esse cenário, segundo apurou a coluna, tem estimulado Mendonça a abrir o sigilo do inquérito para expor a situação.


