Tanto a corrida ao Senado por Alagoas quanto ao governo do estado estão acirradas e seguem abertas às vésperas da eleição

19 set 2026 - 04h57

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- Por: Redação Terra

Renan Calheiros (esquerda) e Arthur Lira (direita).

Foto: Dida Sampaio/Estadão e Pablo Valadares/Agência Câmara / Estadão

Tanto a disputa pelo Governo de Alagoas quanto pelas duas vagas destinadas ao estado no Senado Federal estão acirradas e continuam abertas a pouco mais de duas semanas para o primeiro turno das eleições. Em ambos os pleitos, mesmo em termos diferentes, dois grupos com histórica rivalidade política voltam a se encontrar pelo poder: de um lado, o que tem como principal líder Renan Calheiros (MDB), enquanto do outro, Arthur Lira (PP).

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Na briga pelas cadeiras do Senado, a pesquisa mais recente no estado, realizada pelo instituto Real Time Big Data e divulgada em 15 de setembro, mostra que três nomes estão empatados. Renan Calheiros aparece numericamente à frente, com 22% das intenções de voto. Na sequência, Marina JHC (PSDB) tem 21% e Arthur Lira marca 19%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, há empate técnico. Além disso, Davi Davino Filho (Republicanos) aparece com 17% e está tecnicamente empatado com Marina e Lira.

Veja os números da pesquisa:

- Renan (MDB): 22%

- Marina JHC (PSDB): 21%
- Arthur Lira (PP): 19%
- Davi Davino Filho (Republicanos): 17%
- Dr. Wanderley (MDB): 6%
- Alexandre Fleming (UP): 1%
- Mariedson (Democrata): não pontuou
- Nulo/branco: 7%
- Não sabe/não respondeu: 7%.
Já na disputa ao governo de Alagoas, o mesmo levantamento mostra que Renan Filho (MDB), filho de Renan Calheiros, e JHC -- sigla de João Henrique Caldas -- estão tecnicamente empatados em primeiro e segundo turnos. Veja os números:
Primeiro turno
- Renan Filho (MDB): 46%
- JHC (PSDB): 43%
- Lenilda Luna (UP): 1%
- Márcio Jambo (Democrata): não pontuou
- Nulo/branco: 6%
- Não sabe/não respondeu: 4%
Segundo turno
- Renan Filho (MDB): 47%
- JHC (PSDB): 43%
- Nulo/branco: 6%
- Não sabe/não respondeu: 4%
O que explica a disputa acirrada pelo governo?
Luciana Santana, cientista política e professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), cita que existe uma dinâmica territorial, que é "efetivamente as disputas de poder dentro de Alagoas" por dois grupos políticos.
Um desses grupos, explica a especialista, é o que tem como principal líder Renan Calheiros e conta com o filho dele, Renan Filho, o presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, deputado estadual Marcelo Victor (MDB), o atual governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB), deputados e uma rede grande de prefeitos.
Já o outro tem como um dos principais líderes o Arthur Lira, que é onde o candidato JHC está no momento. "O JHC é muito instável e depende do oportunismo da ocasião se ele vai estar junto ou não. Nesse momento, eles viram e encontraram uma forma de voltarem a estar juntos e disputando ali dentro desse campo."
Para o governo de Alagoas, um candidato de cada um desses grupos disputa o poder e, de acordo com a professora, as diferenças das bases políticas no interior versus capital é o que tem pesado no cenário eleitoral.
"João Henrique Caldas é muito forte na capital. Ele tem um capital político importante, mas, no interior, ele precisa ainda agregar muitas forças. Mesmo ele trazendo a Célia Rocha como sua vice, que é uma mulher de Arapiraca, ex-prefeita, ainda tem muitos desafios. Renan Filho já tem uma situação oposta. Tem uma força grande de prefeitos, da maioria dos prefeitos do estado, mas o grupo sempre teve muita resistência na capital", detalha Luciana.
Conforme a cientista política, o campo atual é muito linear. "Tem tido uma força tarefa muito grande de Renan ir para as periferias, de tentar melhorar a situação e a mesma coisa do JHC, que tem ido para o interior, tem ido para as periferias, tirando alguns prefeitos do Renan Filho, e fazendo o que ele gosta muito, que é justamente discutir pelas redes sociais."
Ela também avalia que o panorama do governo é pouco influenciado por questões nacionais. "Você até tem Renan Filho que declara, é falante de Lula no estado, está tentando dizer isso claramente. O JHC tem tentado se manter neutro, sem atacar Lula. Ao mesmo tempo, ele não quer ter uma associação direta com Jair Bolsonaro, porque ele sabe que, no interior, é um interior muito lulista. Então, para não perder votos", diz Luciana. Apesar disso, recentemente, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, confirmou apoio ao nome de JHC, além de já ter declarado endosso ao nome da mulher de JHC, Marina Cândia, a uma das vagas ao Senado pelo estado.
E a situação pelas cadeiras do Senado?
Luciana destaca que, para o Senado, também há uma dinâmica que envolve a disputa local e esses dois grupos voltam a se encontrar, mas de forma diferente. Ela explica que, hoje, quatro candidatos têm se destacado. De um lado, Renan Calheiros -- com uma extensa trajetória nacional, foi senador por Alagoas e ex-presidente do Senado --, enquanto do outro lado estão os outros três candidatos: Arthur Lira -- ex-presidente da Câmara dos Deputados -- Marina JHC -- ex-primeira-dama de Maceió -- e Davi Davino Filho -- ex-deputado estadual por Alagoas.
"São três nomes competitivos e que podem ser bem-sucedidos nas duas cadeiras, mas não necessariamente isso pode acontecer. Inclusive, pode colocar em risco a própria eleição de Lira, que é o principal nome e que se aproximou novamente do ex-prefeito [JHC] justamente tentando ampliar esse capital político na Região Metropolitana, mais especialmente em Maceió e tentar ser um dos senadores", afirma a professora.
"No senado também tem a questão da força eleitoral da esposa do ex-prefeito. Ela [Marina JHC] tem crescido muito e é ela que talvez seja hoje, mais que o Davi, a principal oponente do próprio Lira", acrescenta.
Luciana avalia que, para o Senado, não há nada definido: "Tem essas disputas entre grupos, mas você tem nomes de peso que podem inclusive tirar os dois grandes nomes".
Cenário nacional tem afetado as eleições em AL?
Para a cientista política, a disputa em Alagoas é mais interna entre Renan Calheiros e Arthur Lira, em grupos opostos que tentam se fortalecer nacionalmente, seja pela via do Senado ou até mesmo com a escolha de Alfredo Gaspar (PL) para ser vice de Flávio Bolsonaro. Alagoano, antes do anúncio como vice, Gaspar era pré-candidato ao Senado por Alagoas e um dos principais nomes. "Tirar o Alfredo da disputa era um trunfo para Lira, porque ele era o candidato favorito ali desse grupo mais conservador do estado", afirma.
"Alfredo provavelmente faria uma campanha muito conservadora, bateria muito em Lula e menos em Renan. Até porque ele foi Secretário de Segurança [no governo de Renan Filho], mantendo boas relações. Então acho que ele teria essa dificuldade, ele ajudaria ele de alguma maneira também", ressalta a professora. "Sobre o próprio Alfredo em si, acho que ele não agrega nada à candidatura de Flávio, só reforça posições, reforça aquilo que já é defendido publicamente aí pelo bolsonarismo de uma forma geral."
Apesar de avaliar que não está ocorrendo uma reprodução da nacionalização no estado, Luciana lembra que, em alguma medida, o capital político de Lula influencia muito a decisão do eleitor no interior do estado. "Fica muito claro, tanto que o João Henrique Caldas tem se mantido neutro, não tem se posicionado justamente porque sabe das perdas que ele pode ter com esse eleitorado que ele precisa constar", afirma.
"Na capital também, nem o próprio Arthur Lira, nem o próprio JHC tem trazido o Flávio para campanha. O Bolsonaro é mais forte na capital, mas fica ali. As pesquisas que eu tenho acompanhado também estão dando aquela linear praticamente de um empate. Então, Lula tem crescido um pouco também nas periferias", completa Luciana.
Fonte: Portal Terra
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