Ilca Maria Estevão

Setor passa por grande transformação nos últimos anos, como lançamento de produtos tecnológicos e presença de robôs nas passarelas

Juliana Eichler, Ilca Maria Estevão

02/10/2026 02:00

OpenAI/Divulgação

A inteligência artificial (IA) vem, cada vez mais, adentrando o universo da moda. No último ano, o setor passou por uma grande transformação que envolve desde o lançamento de produtos tecnológicos, como os polêmicos Meta Glasses, até a presença de robôs nas passarelas, como visto em evento promovido pela Vogue em setembro de 2026. A notícia mais recente envolve o ChatGPT, que anunciou novos recursos de compras dentro da plataforma.

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Mango/Divulgação

Modelo de IA

Provador virtual

Operado pela OpenAI, o ChatGPT anunciou novos recursos que permitem ao usuário “experimentar” virtualmente peças de roupas e acessórios. Para utilizar a ferramenta, basta enviar uma selfie ou uma foto de corpo inteiro e visualizar uma simulação de como determinado produto poderia ficar.

O recurso também pode ser utilizado a partir de uma imagem da própria peça. Assim, quem encontrou um vestido nas redes sociais, por exemplo, pode enviar a imagem ao chatbot e verificar como seria a produção em seu próprio corpo.

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Um post compartilhado por ChatGPT (@chatgpt)
Favoritos e busca por inspiração
O segundo recurso lançado é o Favoritos, que permite salvar produtos encontrados durante as buscas e criar uma espécie de lista de desejos dentro da plataforma. As imagens das provas virtuais também podem ser consultadas posteriormente.
A experiência não se limita, porém, à procura por uma peça específica. O usuário pode descrever um estilo — como um vestido de gala com decote frente única — e pedir ao programa que encontre produtos semelhantes. Também é possível enviar referências visuais, como fotografias de produções de celebridades ou imagens encontradas nas redes sociais, para localizar peças com características parecidas.
OpenAI/Divulgação
Novo recurso disponível no ChatGPT
O ChatGPT já é utilizado por mais de 1,2 bilhão de pessoas por semana, segundo a OpenAI, e a empresa afirma que a plataforma é usada, entre outras finalidades, para descobrir produtos, buscar inspiração e tomar decisões de compra. O lançamento dos novos recursos ocorre justamente às vésperas da temporada de compras de fim de ano, período importante para o varejo.
E essa não é a única maneira pela qual a inteligência artificial vem modificando a relação da indústria com o corpo e com o trabalho. Se, no ChatGPT, a tecnologia aparece como uma ferramenta para ajudar o consumidor a escolher uma roupa, nas passarelas e na cadeia produtiva ela começa a ocupar funções completamente diferentes.
Getty Images
Plataforma é utilizada por mais de 1,2 bilhão de pessoas por semana
Robôs nas passarelas expõem novos dilemas para a indústria da moda
Robôs estão cada vez mais presentes nas passarelas de moda. A tecnologia já começa a ocupar um espaço antes reservado exclusivamente a modelos, levantando uma discussão sobre até onde a inovação pode avançar dentro da indústria.
Quando uma máquina substitui uma pessoa na passarela, entram em cena questões que vão além da tecnologia. A presença desses robôs também coloca em debate a representação dos corpos, o trabalho dos modelos e os próprios limites da moda.
Sean Zanni/Getty Images for Prelude To The Spring Festival Gala via Getty Images
Máquina na passarela do New York Fashion Week
Vogue World e os “robôs-modelos”
Realizado anualmente, o Vogue World teve, neste ano, os robôs entre os protagonistas de uma das apresentações. As máquinas humanoides participaram do evento realizado em Milão, em setembro, em uma performance que explorou a relação entre moda, criatividade e tecnologia.
A cena chamou atenção por levar à passarela algo que, até pouco tempo atrás, parecia pertencer exclusivamente ao universo da ficção científica. Ao lado de modelos, estilistas e celebridades, os robôs passaram a integrar o espetáculo fashion.
Arnold Jerocki/Getty Images for Vogue
Desfile Vogue World
Ao observar os bastidores econômicos do desfile, a discussão ganha ainda mais profundidade. O evento contou com o patrocínio da Meta Glasses, tecnologia que vem acumulando severas críticas quanto à facilitação da invasão de privacidade e à coleta ostensiva de dados em espaços públicos.
Instagram/Reprodução
Kylie Jenner usando óculos inteligentes da Meta
@everyonehateselon_/Instagram/Reprodução
Cartaz com ilusão de ótica
@everyonehateselon_/Instagram/Reprodução
“Óculos para pessoas que não pedem consentimento”
Robô costureiro usa IA para manipular tecidos de forma autônoma
Se nas passarelas os robôs ajudam a construir uma visão sobre o futuro da moda, nas fábricas, a inteligência artificial pode responder a desafios concretos da indústria. É o caso do AITU AI Robot, desenvolvido na China para abastecer máquinas de costura de forma autônoma.
Equipado com visão computacional e IA, o equipamento foi projetado para trabalhar com tecidos flexíveis, um dos obstáculos à automação do setor. Ao contrário de materiais rígidos, eles podem dobrar, escorregar e mudar de formato durante o processo.
Febratex/Divulgação
Na Febratex, foi apresentado pela Silmaq
Na prática, o robô identifica, separa, segura, posiciona e alinha os tecidos antes de levá-los às máquinas. A tecnologia automatiza uma etapa que exige precisão e pode ajudar a indústria a lidar com a escassez de mão de obra qualificada no setor têxtil.
Febratex/Divulgação
Robô costureiro é uma criação chinesa
