Vinte e cinco anos após os atentados de 11 de setembro de 2001, o número de casos de câncer reconhecidos pelo World Trade Center Health Program continua crescendo. Já são 57.044 certificações relacionadas à exposição no World Trade Center, segundo dados de agosto de 2026.

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Só nos últimos 12 meses, foram 10.393 novas certificações de câncer. Pela primeira vez, sobreviventes civis — moradores, trabalhadores e estudantes da região — passaram à frente de bombeiros, policiais e outros profissionais envolvidos no resgate e na limpeza.

Drones formam as torres gêmeas nos 25 anos dos atentados de 11 de setembro. – Foto: 2977 Lights Over New York Harbor/Reprodução

Civis passam a liderar o número de diagnósticos

As certificações de câncer somam 28.913 entre sobreviventes civis e 28.131 entre pessoas que atuaram no resgate e na limpeza. A mudança ocorre em um cenário de entrada contínua de novos participantes no programa e de doenças que podem levar anos para se manifestar.

A exposição ocorreu quando o colapso das torres lançou uma enorme quantidade de poeira, fumaça e partículas no ar. Entre as substâncias presentes estavam amianto, benzeno, sílica e chumbo.

Principais tipos de câncer e avanço dos casos

Das 14.711 condições de saúde certificadas como relacionadas à exposição nos últimos 12 meses, 10.393 foram cânceres.

Entre os inscritos vivos, os tipos mais frequentes são:

- Câncer de pele não melanoma: 18,38 mil certificações;

- Câncer de próstata: 13,17 mil;

- Câncer de mama feminina: 4,83 mil;

- Melanoma: 3,86 mil;

- Linfoma: 2,56 mil.
Os estudos também apontam aumento de determinados tipos de câncer entre pessoas expostas. Uma meta-análise publicada em 2022, com mais de 69 mil socorristas e voluntários, encontrou 19% mais casos de câncer de próstata e 81% mais casos de câncer de tireoide nesse grupo. Outro estudo, publicado em 2020, apontou risco 41% maior de leucemia entre profissionais que estiveram no Ground Zero, em comparação com moradores da mesma região que não tiveram contato com a poeira.
O longo intervalo entre a exposição e o aparecimento de alguns tumores ajuda a explicar por que novos casos continuam sendo registrados.
O que acontece no organismo?
Segundo o oncologista Stephen Stefani, da Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, a exposição a determinadas substâncias pode interferir nos mecanismos que controlam alterações ocorridas durante a divisão celular.
“A divisão celular acontece milhões de vezes ao longo da vida e sempre produz erros. Um organismo saudável identifica e descarta essas falhas antes que elas se acumulem. A exposição a agentes como asbestos, benzeno, sílica e chumbo desarma justamente esse sistema de correção: as mutações passam a se multiplicar sem freio, e o tumor encontra espaço para se formar”, explica ao g1.
Experimentos com camundongos expostos à poeira do World Trade Center encontraram inflamação mais intensa e ativação de genes ligados à multiplicação celular descontrolada.
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A poeira liberada pelo colapso do World Trade Center continha substâncias associadas a riscos para a saúde. Imagem: Rawpixel.com/Shutterstock
Documentos e atendimento às vítimas
O World Trade Center Health Program acompanha pessoas expostas aos efeitos dos atentados. Após uma avaliação médica, um profissional determina se a exposição provavelmente foi um fator relevante para causar ou agravar a doença.
O programa oferece monitoramento e tratamento, incluindo quimioterapia e medicamentos de alto custo. Cerca de 145 mil pessoas estão inscritas, com atendimento por uma rede de prestadores nos Estados Unidos.
A relação entre a exposição e os problemas de saúde também continua sendo discutida na Justiça. Mais de 170 mil documentos da Prefeitura de Nova York foram tornados públicos recentemente. Os arquivos mostram falhas na resposta aos ataques e informações sobre as condições do ar na região.
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O acompanhamento foi estendido até 2090. A duração leva em conta o período que algumas doenças relacionadas à exposição podem levar para se manifestar. Para Matthew McCauley, advogado e ex-paramédico que atua em casos de vítimas, os documentos também podem ajudar nas pesquisas sobre os efeitos dos atentados.
Um dos grupos de pessoas que não estão contemplados atualmente, por exemplo, são os que estavam no útero no momento dos ataques.
Matthew McCauley, advogado e ex-paramédico, à Folha.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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Tags: 11 de setembro Atentado câncer world trade center


