É o bicho!

Hábito constante de lamber as patas pode indicar alergias, dores articulares, estresse e até depressão, alerta veterinário

Daniel Lima

11/09/2026 02:00

Magnific

O hábito compulsivo de lamber as patas costuma acender um alerta nos tutores de cães, já que o comportamento pode indicar desde problemas físicos até quadros emocionais. Segundo a veterinária Manuela Sena, a localização exata do incômodo ajuda a distinguir se a origem do problema é um processo alérgico, dor ou ansiedade.

Entenda

- Lamber a parte de cima das patas pode indicar quadros de ansiedade ou estresse. Já a coceira entre os dedos e nas almofadinhas costuma indicar alergias.

- Se o animal foca em lamber apenas uma articulação, é sinal de dor física (como artrose) ou ferimentos invisíveis, como queimaduras do asfalto quente.

- Pelos manchados de vermelho ou marrom nas patas revelam acúmulo de saliva. Essa umidade constante é perigosa e facilita o surgimento de infecções.

- Colocar um cone de proteção ou dar broncas não resolve o problema. É preciso ir ao veterinário para tratar a doença física ou fazer o enriquecimento ambiental em casos de ansiedade.

5 imagens
1 de 5
O pet traz alegria ao lar
Freepik
2 de 5
Cuidar da dieta do seu pet é importante para promover saúde
Lum3n/ Pezels
3 de 5
Cuidar adequadamente do animal é missão do tutor
Reprodução/Alto Astral
4 de 5
A ração tradicional todos os dias pode parecer pouco atraente para os cães
Reprodução/GettyImages
5 de 5
É preciso ter cuidado com a saúde bucal dos animais
Reprodução/ Freepik
Quando o animal foca na parte superior de um único membro e cria uma lesão persistente, a causa geralmente é psicológica. Por outro lado, a coceira intensa na região palmar, especialmente entre os dedos e nas almofadinhas dianteiras, costuma estar ligada ao contato com produtos de limpeza, grama ou pólen.
Antes de classificar o comportamento apenas como tédio ou estresse, é obrigatório descartar a hipótese da presença de fungos, bactérias ou ácaros por meio de exames clínicos.
“A investigação clínica deve sempre priorizar a exclusão de causas orgânicas, como inflamações articulares, traumas locais ou infecções secundárias”, ressalta a especialista.
Lamber sempre o mesmo ponto das patas pode indicar dor na articulação ou queimadura do asfalto
Impacto da dor e dos ferimentos nas patas
Animais que sofrem com lesões ósseas ou articulares, como a artrose, costumam focar o incômodo lambendo exatamente a articulação dolorida, o que gera uma dermatite com perda de pelos no local.
Entre no canal de WhatsApp do Vida e Estilo
Além de problemas articulares, ferimentos externos provocados pela rotina passam despercebidos pelos tutores. O asfalto quente, por exemplo, gera queimaduras severas nos coxins. A veterinária alerta que, nessas situações extremas, “a pele dessas regiões pode descamar e, em casos mais graves, deixar a carne exposta”.
Para evitar traumas, o tutor deve testar a temperatura do chão com as costas da mão, já que a nossa sola do pé não reflete a sensibilidade real das patas dos cães.
Pelos escuros ou avermelhados nas patas revelam excesso de saliva e risco de infecção na pele
Mudança de cor nas patas e riscos da umidade
Um sinal claro de que o bicho está lambendo muito uma área é quando a pelagem adquire um tom avermelhado, ferrugem ou amarronzado. Essa coloração acontece devido à oxidação de substâncias presentes na saliva após o contato constante com os pelos.
Mais do que uma questão estética, a umidade contínua eleva o pH da pele e cria o ambiente perfeito para a multiplicação de microrganismos patogênicos, como leveduras e bactérias. A presença da mancha funciona como um aviso clínico de que uma lesão dermatológica pode surgir naquelas patas em breve, exigindo avaliação.
Se o motivo for estresse, proteger as patas exige brinquedos e passeios em vez de broncas ou restrições
Ansiedade e tratamento adequado
A ansiedade de separação e o tédio são gatilhos reais, mas o diagnóstico psicológico só deve ser fechado após a exclusão de todas as doenças físicas. Uma vez confirmado o quadro de estresse, a recomendação é mudar a rotina, intensificando os passeios e utilizando brinquedos de enriquecimento ambiental para estimular o pet enquanto ele estiver sozinho.
Na tentativa de interromper a mania, muitos tutores recorrem a broncas ou métodos restritivos. Porém, não se deve usar colares elisabetanos ou contenções físicas sem antes descobrir e tratar a raiz do incômodo, pois o problema voltará assim que a barreira for removida.
Se a ferida precisar de proteção urgente para cicatrizar, o uso de acessórios é válido temporariamente, mas não resolve o quadro de forma isolada.
“O foco principal é diagnosticar a origem da lambedura e, uma vez confirmado um quadro como a ansiedade, implementar medidas como o enriquecimento ambiental”, conclui a professora do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF).


