Matheus Leitão

Edson Fachin com o dedo levantado em frente à parede branca
Edson Fachin com o dedo levantado em frente à parede branca · Imagem: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Edson Fachin mantém ministro na relatoria, mas determina a abertura de investigações que atingem Flávio Bolsonaro e outros políticos

A arma política que Edson Fachin tirou de André Mendonça
A arma política que Edson Fachin tirou de André Mendonça · Imagem: Source: www.metropoles.com

Matheus Leitão

11/09/2026 11:41

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

A coluna perguntou nesta quarta, 9, qual seria o próximo movimento de Edson Fachin para retomar de vez o comando do Supremo: manteria André Mendonça na relatoria do caso Master e de seus desdobramentos?

A resposta veio dois dias depois. Fachin não retirou a relatoria, mas reduziu consideravelmente o poder político de Mendonça ao determinar a abertura das investigações sob sua responsabilidade, preservando apenas as diligências que ainda dependem de sigilo.

Uma das principais críticas ao ministro era justamente a divulgação seletiva de informações. Mendonça retirava o sigilo de determinados documentos, mantinha outros protegidos e demorava a atender a requerimentos da Polícia Federal.

Ao mandar abrir os processos e compartilhar grande parte do material com os demais ministros e com a população brasileira, Fachin retirou das mãos do relator a possibilidade de administrar essas informações a conta-gotas, escolhendo o momento e a intensidade de cada divulgação — uma arma especialmente poderosa em pleno período eleitoral.

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A abertura dos autos já revelou, por exemplo, que Flávio Bolsonaro é formalmente investigado no caso Dark Horse. A apuração sobre o possível uso de emendas parlamentares no financiamento do filme, relatada por Flávio Dino, permanece sob sigilo.

Foi o segundo freio de arrumação imposto por Fachin em uma das semanas mais tensas da história recente do Supremo. Primeiro, ele interrompeu a guerra de decisões entre Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal. Depois, retirou de Alexandre de Moraes o controle do inquérito das fake news, num momento em que o ministro, durante anos o maior protagonista da Corte, passou a ser alvo de graves questionamentos por sua relação com Daniel Vorcaro.

Agora, Fachin avançou sobre o outro polo da crise. Não afastou Mendonça dos processos, mas limitou sua capacidade de usá-los politicamente.

A crise no Supremo ainda terá novos capítulos, mas finalmente recebeu um freio de arrumação importante, capaz de limitar sua influência sobre a eleição presidencial.